Linux, Firefox, Audacity, GIMP. O que estes softwares de funcionalidades tão diferentes possuem em comum?

Em comum todos possuem a licença GNU/GPL, que indicam que se tratam de softwares livres, segundo a Free Software Foundation (FSF). Existem inúmeras licenças de software livre, algumas mais permissivas que as outras. Um exemplo de licença livre permissiva é a MIT. E é prudente lembrarmos aqui que software livre não é sinônimo de software grátis.

Os softwares que citei acima possuem excelente qualidade, atendem à maioria dos cenários possíveis. E ainda caso queira acrescentar alguma funcionalidade, graças ao código-fonte aberto isso é possível de ser feito por qualquer pessoa que tenha conhecimento para tal.

Tudo isso é muito legal, mas o Software Livre além de ser um modelo de desenvolvimento é um movimento ideológico, e como qualquer ideologia, possui pessoas que a seguem radicalmente. Para os radicais da ideologia do software livre é que eu uso o termo freetard. Se você é apenas usuário de software livre sem se importar com a ideologia, ou ser simpatizante da ideologia e não ser radical, não o julgo como tal. Explico mais ou menos isso em um texto publicado em 2009, chamado “Pessoas normais torcem por times de futebol; geeks torcem por sistemas operacionais”.

Ultimamente no site br-linux tem aparecido textos de um seguidor radical da ideologia do SL, Anahuac de Paula Gil. Ele é do tipo que demoniza o software proprietário (é, ultimamente o foco hoje é o Google e software proprietário em geral e não mais a Microsoft como no passado), e ataca até softwares livres que usam de partes proprietárias para algumas funcionalidades, como a distribuição Linux Ubuntu.

Os comentários em textos do Anahuac são bem numerosos, o flame come solto. A maioria deles é criticando o autor do texto e seu radicalismo. Há alguns comentaristas mais flexíveis, e outros igualmente radicais. O autor do site, Augusto Campos, é também usuário de plataforma Apple, e não comunga do radicalismo.

Os militantes fervorosos de uma ideologia, assim como os seguidores de uma religião, chamam outras pessoas para seguirem a ideologia ou religião que pregam. O problema é a forma como fazem isso.

Freetards que se prezam desejam que TODO software seja aberto, pregam a extinção do software proprietário, acham que o fato de uma empresa fechar o código é desonesto, anti ético.

Não comungo de nenhum item desses, muito pelo contário: esse radicalismo na verdade afasta o pessoal dos ideais do software livre.

Acho que um usuário final não se sentirá “empoderado” (essa palavra tá na moda) por possuir o código fonte de uma aplicação. Penso que tá, eu tenho o fonte, não sei patavinas de programação, o que eu vou fazer com isso?

Uma empresa que desenvolveu um software claro que não quer compartilhar de seus segredos com os concorrentes! Fechar o código só seria desonesto se ele fizesse algo de ruim, como roubar dados sem o usuário saber.

Até licenças de software livre permissivas são criticadas por freetards: a licença BSD, por exemplo, permite que alguém altere o código e feche a parte que foi alterada. Por exemplo, a Apple usa de muito código licenciado sob BSD em seu OS X. A licença GPL é idolatrada justamente por não permitir que em caso de uso de um código o mesmo seja fechado. Por isso dizemos que a licenças BSD são verdadeiramente livres, ao contrário da GPL que possui essa restrição.

Freetards são mais radicais que Wintards e Mactards, pois os últimos não desejam o fim do software livre! Claro, inúmeros softwares livres são muito utilizados em Windows e OS X. Até fanboys de consoles de videogame e de sistemas móveis não desejam a “morte” de seus rivais, estes normalmente enaltecem as qualidades de seus ídolos.

Aí está a chave de ouro para os freetards melhorarem: em vez de desejar a extinção de software proprietário, por que não enaltecerem as qualidades técnicas de um software livre? O que um usuário final quer saber é funcionalidade, não ideologia. Até eu que sou desenvolvedor não me interesso em alterar os programas que eu uso.

Se um software livre passar a me atender melhor que o proprietário que eu uso, vou trocar de programa, oras.

Então fica a dica: ficar demonizando, pregando a extinção de modelos de desenvolvimento só vai afastar o pessoal do software livre, e o radical passa a ser bem ridicularizado, tipo o Anahuac.