Impressões sobre o Windows 10 em um Acer Aspire 4740
Leonel Fraga de Oliveira 04/11/2015 12:30

Já é um fato que o Windows 8 foi bem dizer um fracasso, e faz um tempinho que o Windows 10 está entre nós.

Windows 10

Tio Nadella disponibiliza essa versão como um upgrade gratuito para usuários do Windows 7 e 8/8.1 até metade do ano que vem. Já são mais de 75 milhões de dispositivos já atualizados e ainda não acabou. A Microsoft claro, quer que atualizemos, mesmo que isso seja forçado.

Há 3 anos atrás, escrevi um post aqui no NeoMatrix Tech detalhando a experiência com o Windows 8 em um notebook Acer Aspire 4740. Este note foi futuramente atualizado para o Windows 8.1 e recentemente atualizei-o para o Windows 10. Meu desktop ainda continua com o Windows 7 Ultimate x64.

Vamos ver agora como o novo sistema operacional da Microsoft se comporta em uma máquina com seus 5 ou 6 anos de idade. Vem comigo!

1. O Hardware do Notebook:

Originalmente (depois explico o porquê deste destaque), contém:

- Processador: Intel Core i3 M330 (2,13 GHz)
- Memória: 3 GB RAM (DDR-3 1066 MHz (PC-8500))
- Disco Rígido: Western Digital 250 GB (5400 RPM)
- WiFi, Ethernet, 3x USB 2.0
- BIOS versão 1.10 (atualização necessária para executar o Windows 8, e portanto o 10 também)
- Veio com Windows 7 Home Premium x64, atualizado para Windows 8 Pro x64, atualizado para Windows 8.1 Pro x64

Se na postagem passada disse que ele era deveras defasado, imagine agora que está 3 anos mais velho! E mesmo assim ainda funciona bem.

2. Instalação do Windows 10:

Ao receber a notificação de upgrade na bandeja do sistema, reservei a atualização pelo assistente, esperei alguns dias e instalo através do próprio Windows 8, ou seja, instalei o Windows 10 “por cima” do 8, fazendo uma atualização em vez de uma instalação limpa.

Mas claro, ANTES de iniciar a instalação do novo sistema operacional gravei uma imagem do HD em uma unidade externa através do Acronis True Image, para caso dê merda poder voltar atrás de forma mais simples do que instalando tudo do zero.

A instalação demorou um bocado, e ao terminar notei que todos os meus programas estavam lá e funcionavam de acordo.

A versão instalada foi a Pro de 64 bits, já que o Windows 8 instalado era a Pro x64.

3. Xi… ficou, ó… UMA BOSTA!

NeoMatrix Light, abrindo no Microsoft Edge

Notei que a máquina demorava consideravelmente para aparecer a tela de login. No Windows 8 o tempo era BEM menor. Após o login feito, o notebook permanecia lento por um bom tempo, e o uso do disco rígido ficava em 100% direto, o que causava gargalos imensos. E ainda mais num HD de 5400 RPM!

A quantidade de memória RAM também era um tanto escassa: 3 GB totais, sendo 2,78 utilizáveis (a memória de vídeo é compartilhada), portanto a máquina usava muito a memória virtual. Mas ainda assim dava para usar, com um pouco de paciência.

E também, se fomos considerar que a máquina NUNCA foi formatada desde que eu comprei, passando pelos Windows 7, 8, 8.1 e finalmente o 10 só via upgrade; a quantidade de lixo (bloatware do fabricante, entradas de registro, etc.) era enorme.

4. Xi… deu pau!

Uma bela ocasião, ao abrir o Traktor (software de DJing), o programa não reconhecia a minha pasta de usuário, onde ele grava alguns dados. Mesmo abrindo todas as permissões não funcionava.

Em vez de sentar e chorar, pensei um pouco, e já que não tinha coisa importante gravada no notebook, resolvi fazer a restauração do sistema.

Esta funcionalidade instala o Windows “do zero”, sem a necessidade de formatar a máquina e utilizar uma mídia (DVD, pendrive, etc) para instalar o sistema. Utilizei a opção para exclusão de todos os arquivos pessoais e programas, assim podendo me livrar de todo o lixo que estava instalado.

Esperei um bocado, e a restauração é concluída com sucesso.

5. As coisas começam a melhorar um pouco.

Visual Studio, VM Windows Server 2003 no Hyper-V, Home do Leonelfraga.com aberta no IE (debug do VS)

A restauração foi feita com sucesso, e o notebook ficou um pouco mais rápido, mas mesmo assim o boot demorava mais que o Windows 8. Todos os drivers da máquina foram reconhecidos pelo sistema, tudo funcionava de acordo, inclusive o recurso multitoques do touchpad. Não  necessitei baixar nenhum driver do site do fabricante. O Windows oferece drivers na mesma versão ou mais atuais dos listados no site da Acer.

Por falar no site da Acer para o modelo Aspire 4740, ele não oferece suporte para o Windows 10 (ele vai até o 7), porém os drivers para o Windows 7 funcionam no 10. Só se atente se ele é de 32 ou 64 bits.

Instalei alguns programas de uso mais comum: Traktor, Visual Studio, Notepad++, GIMP, Java, e outros, além de alguns periféricos: placa de áudio Native Instruments Audio 8 DJ, controladora MIDI Behringer CMD 4a, certificado digital SERASA A3 em smartcard, leitora de smartcard Perto. Tudo funcionou normalmente, de acordo.

6. Melhorou um pouco, mas mesmo assim, tá UMA BOSTA!

A escassez de memória e a lentidão do disco rígido tornaram o uso do Windows 10 nesse Acer Aspire 4740 um teste de paciência. O boot demorava, os programas demoravam um tanto para responder, mas funcionavam. O processador aguenta o tranco tranquilo, já que eu não uso para jogar e nem faço edição de vídeo ou outras coisas pesadas.

E quando rolava o Windows Update então! Demorava uma E-T-E-R-N-I-D-A-D-E! Fazer o download, instalar, configurar, era um parto.

7. Hora de tirar o escorpião do bolso.

Upgrade ESSENCIAL caso queira o Windows 10 bem fluído em um note antigo

Eu não tenho intenção de comprar um notebook novo por um bom tempo ainda, este vai ter que durar mais alguns anos, porém agora não dava para voltar ao Windows 8 quiçá ao 7 (ops, acho que para este dava, já que a key atualizada era a do Windows 8), já que a chave do sistema “virou” para o 10. E como restaurei o sistema, não havia mais a opção de rollback.

Para dar uma sobrevida a um hardware um tanto antigo, como o processador aguenta, resolvi fazer um upgrade de memória RAM para confortáveis 8 GB e trocar o lento HD de 5400 RPM por um SSD de capacidade compatível (240 GB). E este upgrade tinha que ser simultâneo, pois de nada adiantaria utilizar um SSD com pouca memória RAM, visto que o Windows iria continuar a utilizar o SWAP. Tá, o SSD é muito mais rápido, porém um SWAP grande iria diminuir a vida útil da nova unidade de armazenamento.

O SSD foi fácil de achar, só o preço não é convidativo, cerca de R$ 500,00 uma unidade com 240 GB. Já a memória, do tipo DDR-3 de 1066 MHz já não é comum hoje em dia. O pente de 1333 MHz é mais comum, custa em torno de R$ 165,00 mas não sei se a placa mãe do meu note iria suportar. Mesmo com programas como o CPU-Z e Everest não consegui identificar os tipos compatíveis, portanto torcia para achar o pente com as mesmas características de frequência da memória já instalada (estas sim, identificadas com o CPU-Z).

Esse foi o meu dia de sorte, já que não precisei bater muita perna na Santa Ifigênia até achar um kit novo com 2 x 4 GB DDR-3 1066 da Corsair, por R$ 350,00. Comprei, já que nas memórias em kit os pentes possuem as mesmas características de latência, funcionando o dual channel sem problemas.

8. As coisas já começam a melhorar.

Agora com 8 GB de RAM as coisas ficaram um pouco mais confortáveis, mas ainda não é tudo

Instalar as memórias não teve segredo: basta desparafusar a tampa que dá acesso ao compartimento onde as memórias são instaladas, retirá-la, soltar os módulos antigos puxando uma pequena trava para o lado, colocar os novos módulos, fechar a tampa e ligar a máquina.

Ao ligar o notebook e entrar nas propriedades de sistema, os 8 GB foram reconhecidos, e o boot ficou um pouco mais rápido e a máquina fluia melhor. Coloquei tamanho fixo de 1 GB no arquivo de troca, já que agora estou com uma quantidade de RAM mais confortável. É a mesma quantidade que tenho no meu desktop.

9. Transplantando o sistema para o SSD.

O note reconheceu o SSD. Agora é restaurar a imagem e torcer

Feito o teste da RAM, como não queria instalar o Windows 10 (e todos os programas) do zero, e também não gravei um DVD ou pendrive para isso, fiz a imagem do disco rígido já com o Windows 10 com o Acronis True Image em uma unidade USB externa para poder restaurar no SSD depois.

Substituir o HD pelo SSD também foi simples: abri o compartimento do HD na parte inferior, puxei a unidade, desparafusei-a do bumper, parafusei o SSD no bumper, coloquei-o no notebook, e ficou sem folgas exatamente como estava o HD, fechei a tampa.

Claro que liguei a máquina, porém em vez de completar a sequência de inicialização (não ia iniciar nada mesmo!), entrei no setup de BIOS e constatei que o SSD foi devidamente reconhecido na porta SATA.

Dei boot no note com o CD do Acronis, e pedi o restore da imagem do Windows 10 no SSD. O processo demorou um pouquinho, uns 25 minutos, já que usei um nível um pouco mais alto de compressão. Terminado o restore, eis que dá uma tela do próprio Windows apontando falha na inicialização, a falta de um arquivo.

Putz, o restore deu ruim, vou ter que instalar saporra do zero mesmo! Mesmo usando a mídia do Windows 8, mandando reparar o setor de boot e fazendo alguns comandos, e usando a restauração automática a instalação do Windows não foi detectada. Bem, saí para comprar um DVD virgem e um pendrive para criar a mídia de instalação do Windows 10.

Mas antes de instalar do zero, coloquei novamente o Acronis para executar um novo restore enquanto gerava as mídias de instalação do W10, e eis que ao selecionar o destino da imagem eu vejo que uma das partições não foi gravada, apresentava como espaço não alocado no disco, justamente a C:\. As partições de recuperação, e uma reservada pelo sistema foram gravadas corretamente. Coloquei para rodar o restore novamente.

10. FINALMENTE!!! Agora sim o bichão ficou bom pra K7!

Terminado o restore, inicializo a máquina e eis que tenho uma surpresa deveras agradável: o boot do Windows 10 ocorreu normalmente, e com velocidade muito boa! Ele não chega a “ligar em 2 segundos” como em máquinas mais novas, mas o tempo de inicialização não excede 1 ou 2 minutos, não medi direito. Após fazer o login foram só alegrias, a máquina estava muito rápida e sem fome de recursos: a utilização do disco rígido não chegou a 100% (não falo de espaço ocupado, e sim de I/O).

Detalhe que a troca do disco por SSD e o transplante do sistema não mexeram na ativação do Windows (afinal, troquei uma parte importante do hardware da máquina).

Tudo estava conforme eu tinha deixado. Todos os programas, drivers, arquivos, estavam funcionando sem problemas. O upgrade de memória RAM e a troca do HD por SSD deram vida nova a um hardware de mais de 5 anos!

11. Conclusão

O Windows 10 é um bom sistema, a interface ficou agradável com o novo Menu Iniciar. Como sou usuário um tanto avançado, achei as telas de configuração meio “cruas”, preferindo o Painel de Controle clássico. Os programas que utilizo funcionam sem problemas. Utilizo mais programas “desktop”, nenhum com a interface Modern (ex-Metro).

Só que isso tem um porém: se tiver menos que 4 GB de RAM e um HD lento, prepare-se para ter algumas dores de cabeça com lentidão. Ainda mais com a versão de 64 bits.

Portanto, para ter uma ótima experiência com o Windows 10 em termos de velocidade, é necessária uma boa quantidade de memória RAM (8 GB são confortáveis, e com preço acessível) e uma unidade de inicialização SSD (este já não tão acessível em termos de preço). Notebook com Windows 10 e HD lento não dá. Para quem vem do Windows 8.x, a curva de aprendizado não é muito grande. Para quem vem do 7 ou anteriores, a curva se acentua um pouco, mas nada tão complexo.

Quando eu atualizar o meu desktop, um Core 2 Duo E8400 com 8 GB de RAM, também conto a experiência aqui nos mesmos moldes ;)

Leonel Fraga de Oliveira Leonel Fraga de Oliveira é formado em Processamento de Dados na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP - 2002) e anteriormente em Técnico em Eletrônica, pela ETE Professor Aprígio Gonzaga (lá em 1999).
Atualmente trabalha como Analista de Sistemas na Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul - SP
Tem como hobbies DJing (também trabalha como DJ freelancer) e ciclismo, além da manutenção dos sites NeoMatrix Light e NeoMatrix Tech.
Gosta de música eletrônica, tecnologia, cinema (super fã de Jornada nas Estrelas), gastronomia e outras coisas mais.


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