Btwin SatCount

Há algum tempo atrás adotei o ciclismo como prática esportiva. Atualmente tenho duas bicicletas, tipo Mountain Bike (uma de "supermercado", Caloi Montana; outra mais parruda, Caloi Explorer 20), porém pratico mais em ambientes urbanos (passeios noturnos, ciclofaixa de lazer) ou na estrada.

Inclusive comecei a participar de eventos da modalidade ciclismo Randonneur, onde o objetivo é completar um percurso determinado em um limite de tempo, e para acompanhar os treinamentos, passeios e até a prova eu faço uso de um ciclocomputador Cateye Velo 7 instalado na mesa da bike, além do aplicativo Strava no celular.

O Velo 7 mostra informações básicas, como a velocidade instantânea, distância percorrida, velocidade média, hora e uma pequena pilha tem alta duração (tenho há praticamente 9 meses e ainda não troquei a bateria) porém não registra a rota, e nisso o Strava supre, pois ele utiliza o GPS do celular para obter tais informações.

Porém utilizar o celular traz algumas desvantagens, como por exemplo drenar a bateria mais rápido. Por isso quando participei de meu primeiro BRM-200, resolvi comprar um ciclocomputador baseado em GPS. Há os quase onipresentes Garmin Edge, mas estavam fora do meu orçamento, por isso resolvi arriscar e peguei um ciclocomputador B'Twin SatCount, vendido nas lojas Decathlon.

O kit que acompanha o produto é bem básico, contendo o aparelho em si, suporte para prender no guidão ou na mesa e um cabo Micro-USB. Carregador? Nem, a B'Twin confia que você irá carregar o aparelho na porta USB do computador ou em carregador de celular. Manual de Instruções? Baixe da Internet.

Instalar na bicicleta é simples, basta prender o suporte no local desejado (você pode virar a abraçadeira de borracha no suporte, dependendo se a instalação será no guidão ou na mesa - mas hoje - 01/03/2015 - quando fui tirar e recolocar no guidão a abraçadeira de borracha arrebentou com a força e tive que fazer umas gambiarras com fita hellerman para colocar o suporte no lugar) e encaixar o ciclocomputador. Como ele obtém as informações baseado em GPS, não é necessária a instalação de sensores na roda. Por falar em sensores, a B'Twin também tem o SatCount+, que é compatível com sensores de cadência e batimentos cardíacos utilizando o protocolo ANT+. O que está sendo resenhado aqui não possui este recurso.

Para ligar a unidade, basta segurar o botão Power, e após inicializar aparece o menu principal com algumas opções:

- Ride: para registrar o percurso
- Navigation: aciona uma função de navegação
- Challenge: é como se fosse uma disputa contra você mesmo em uma rota.
- Logbook: é o registro das atividades gravadas no aparelho, onde podemos visualizar ou excluir.
- Settings: configurações do dispositivo, como dados do usuário, unidade de medida (métrico ou imperial), informações que aparecem no dashboard - a tela que é exibida durante os modos Ride e Navigation, data e hora e outros.

Ao entrar no modo Ride, o que nos interessa, a aquisição dos satélites GPS é feita de forma rápida, na maioria das vezes. Feito isso e ao iniciar, é exibido o dashboard com as informações configuradas. Eu configurei as seguintes informações: Velocidade instantânea (ela sempre é exibida na parte superior), relógio, distância percorrida, velocidade média, altitude atual, cronômetro e altimetria positiva (subidas) acumulada.

Btwin SatCount - Menu Principal

A navegação na interface é feita com quatro botões na parte inferior, além do botão de acesso ao Menu do lado esquerdo, e os botões Power e Backlight do lado direito. No dashboard são exibidas 3 linhas de dados (além da velocidade instantânea) por vez, e para navegar entre as telas são utilizados os quatro botões inferiores.

Os botões são um pouco duros para serem acionados, e a tela não é touchscreen. A dureza pode ser explicada pela resistência à água que o SatCount possui. De fato, já pedalei debaixo de um toró e o bicho se manteve firme, inclusive não perdendo o sinal de GPS durante o percurso.

A autonomia prometida pela B'Twin é de cerca de 14 horas. Realmente ela durou esse período, com aviso de bateria baixa aos 20% e 10% restantes, para dar tempo para salvar seu treino. Um detalhe é que mesmo em stand-by, a bateria perde carga. Portanto, sempre verifique a bateria ao sair com ele para treinar.

Não testei o modo de navegação com detalhes, mas posso dizer que ele é bem rudimentar. Não é navegação curva-a-curva e nem possui mapa na tela, ele somente desenha uma rota pré-carregada e dá instruções para virar.

A tela é LCD, gráficos bem simples mas a resolução é boa, e possui luz de fundo que pode ser configurada para ficar acesa permanentemente ou por um período de tempo quando o botão de backlight for acionado.

Btwin SatCount - Em modo de registro

Possui memória interna de 6 MB (isso mesmo, seis megabytes) para registro de treino. Isso é mais que o suficiente para registrar pedais deveras longos, pode apostar que ele grava muita coisa.

A gravação interna dos dados registrados é feita em um formato proprietário, e para transferir os dados para o computador é necessária a instalação do software ONConnect da empresa Geonaute (que é a verdadeira fabricante do SatCount), que é iniciado ao plugar o dispositivo ao computador através do cabo USB (a porta fica protegida, portanto não entra água). E através dele os dados podem ser excluídos do dispositivo após o upload ou mais tarde.

Ao iniciar o software, os títulos dos registros podem ser alterados, e para visualizar os dados detalhadamente é necessário criar uma conta no site MyGeonaute (www.mygeonaute.com), que será utilizada para fazer upload dos dados.

O site da Geonaute apresenta-se em vários idiomas, como alemâo, francês, inglês, português de portugal entre outros. Lá os dados podem ser visualizados com mapa, gráficos de altimetria e velocidade, além de outros.

Então quer dizer que não dá para utilizar ele com o Strava? Dá sim, mas dá um trabalho considerável. O site MyGeonaute exporta os dados do treinamento em formato .GPX, que por sua vez pode ser importado no Strava, com um porém: o fuso-horário que é exportado pelo MyGeonaute e interpretado pelo Strava tem diferença de -4 horas (-3h no horário de verão), portanto se quiser que o horário correto apareça no Strava, o arquivo GPX (ele utiliza a marcação em XML) deverá ser editado e onde aparecer "Z" na marcação de tempo, deve ser substituído por "-05:00" (ou -03:00 durante o horário de verão, sem as aspas). Felizmente os editores de texto permitem fazer essa subistituição em lote.

[Atualizado em 22/06/2015 - Função de Navegação]

A função de navegação do SatCount não possui mapa, ela desenha o traçado de uma rota pré-carregada com uma seta indicando a posição do dispositivo nesta rota. No modo de navegação, com o auxílio das setas para direita e esquerda, alterna-se entre os modos de mostrador padrão, rota com a indicação de posição no traçado e perfil de altitude. As setas para cima e para baixo, no modo de mapa, aumentam ou reduzem o zoom.

As vezes, dependendo do sinal GPS, a rota pode "sumir" do mapa ou o dispositivo ficar indicando "fora da rota".

As rotas devem ser montadas através do site MyGeonaute de duas formas: manualmente ou importando um arquivo GPX, e após isso sincronizadas com o dispositivo via aplicativo OnConnect.

A montagem manual da rota via MyGeonaute é muito simples, basta clicar em dois pontos sobre o mapa que ele desenhará uma reta ligando estes dois pontos, e após isso pode criar novos pontos sobre essa reta arrastando-a pelo traçado a ser definido no mapa. Gostei dessa abordagem simples e direta, diferente de outros sites que possuem ferramentas mais complexas para o mesmo objetivo.

Mesmo sendo muito simples e sem desenho do mapa (apenas do traçado da rota) na tela, a navegação do SatCount já me ajudou em algumas ocasiões, indicando qual caminho seguir, onde virar em uma curva, seja na estrada ou em trilhas (estradas de terra, caminhos rurais).

Conclusão:

Se a função de navegação curva-a-curva e mapa não é importante, ou seja, seu objetivo é apenas registrar o treino com a rota para posterior visualização em serviços Web (embora a utilização com o Strava não seja tão intuitiva como é com os Garmins), o SatCount é uma boa opção e com um bom custo-benefício (em torno de R$ 450,00).

Prós:

- Autonomia de bateria (14h)
- Aquisição rápida de satélites GPS
- Configuração do dashboard para apresentar informações relevantes
- Embora com memória pequena, armazena boa quantidade de treinos.
- Resistente à água

Contras:

- Abraçadeira de borracha um tanto frágil
- Kit sem carregador ou manual de instruções
- Bateria se descarrega rápido mesmo desligado (claro, leva mais tempo em comparação ao dispositivo ligado)
- Não indicado para navegação como se fosse um GPS dedicado para isso.
- A função de navegação é espartana, ela mostra apenas o traçado da rota na tela, sem mapa, portanto o caminho deve ser estudado com antecedência. A navegação do SatCount dá uma ajuda, porém não podemos usar essa função como nosso único guia.