Experiência de uso dos sistemas mobile: iOS x Windows Phone 7.5 x Android (Jelly Bean 4.1.1)
Leonel Fraga de Oliveira 27/12/2012 01:03

Final de ano chegando aí, e creio que o presente de Natal de muitas pessoas foi um celular. Seja o primeiro ou o enésimo, seja um dumb ou um smartphone, hoje temos mais celulares do que pessoas no Brasil.

Smartphones: Nokia N95, Nokia Lumia 710, Samsung Galaxy SIII, iPhone 3GS

Se tratando de smartphones, hoje temos três plataformas dominantes: Google Android, Apple iOS e Microsoft Windows Phone (versões 7.x e 8). Lá atrás, temos o Blackberry da RIM, Symbian “ex-Nokia”, Samsung Bada e outros.

Este ano também resolvi me presentear com um smartphone novo: Samsung Galaxy SIII, que hoje podemos dizer que é um dos tops da plataforma Android. Além dele, possuo um iPhone 3GS, um Nokia Lumia 710 e um N95 da Nokia. Fora os dumbphones, que foram três ou 4 se contar um Motorola Ultratac).

Com aparelhos dos três sistemas majoritários em mãos, vou contar a minha experiência de uso com cada um deles, apontando os prós e os contras, e dando um veredicto ao final da postagem.

1. Experiência com o iOS, em um iPhone 3GS (Apple):

Longe de ser um fanboy da Apple, em Janeiro de 2010 resolvi trocar o N95 por um iPhone. Sabia que ele é bem “travado”, onde você faz as coisas do jeito que o (saudoso) Steve Jobs quer. Naquele tempo o Android já existia e eu achava o sistema muito “cru”.

Peguei o modelo 3GS com 32 GB de capacidade, e até hoje nunca consegui ocupar toda a sua memória. Devo ter em torno de 120 aplicativos (o maior com 1,2 GB). Logo ao ligar o aparelho me senti familiarizado com o iOS. Já conhecia o conceito da App Store, do jailbreak, entre outras coisas do ecossistema Apple.

Realmente, a interface do iOS é bem intuitiva, fácil de usar.

As críticas ao aparelho se dão mais ao fato do iOS ser travado, principalmente no que diz respeito ao compartinhamento de arquivos. Nele, você só coloca músicas, vídeos e outros através do iTunes. As fotos podem ser copiadas só plugando ao PC com o cabo USB. Mas para contornar essas limitações, existe o jailbreak.

Fiz o jailbreak quando estava no iOS 4. Confesso que o fiz para poder utilizar aplicativos piratas, como o GPS iGo Primo (que futuramente comprei a licença, quando atualizei para o iOS 5), e alguns jogos (quando não havia a categoria na App Store brasileira). Fora isso, não me fez diferença o jailbreak ou não, tanto que mesmo assim, sabendo que não rodaria mais os apps piratas, atualizei o iOS e o uso como está.

Com o iOS, me “apeguei” a uns aplicativos chave, seguem:

- Cliente de Twitter: Tweetdeck e Twitterrific. Também tenho o cliente oficial, mas não o uso. - Redes Sociais: Facebook, Instagram, LinkedIn, Foursquare (todos os apps nativos) - Leitura de Feeds: Flipboard - Sincronia de contatos com o Outlook - Cliente de Email: nativo do iOS - Navegadores Web: Google Chrome, Mercury Web Browser, e por vezes o Safari - Player de Mídia: nativo do iOS, tanto para vídeo quanto para áudio - Alguns jogos, como Temple Rum, Jetpack Joyrade, entre outros (jogo mais a sério no iPad). - Mensagem Instantânea: WhatsApp, Skype (ainda mais com a integração com as contas Microsoft)

Com isso, o ecossistema de aplicativos se tornou mais interessante que o sistema operacional em si. Porque funções básicas de um celular como telefone (duh!), SMS e foto, qualquer dumbphone faz.

Em três anos de uso, o iPhone nunca me deixou na mão, se tratando de passar algumas temporadas na assistência técnica. Mas a idade vai chegando, e para um smartphone de 2009, com a versão mais atual do iOS, os anos de idade já vão dando as caras: os apps vão ficando mais gulosos de recursos, a bateria perde a carga com pouco uso, as gerações mais novas já estão aí…

Uma vez, como eu uso bastante o SMS e a conta já estava ficando um tanto alta, resolvi mudar de plano na minha operadora, e nesta mudança de plano ganhei um aparelho: As opções eram o LG Optimus Black, com Android e o Nokia Lumia 710, com Windows Phone 7. Como na loja o Android estava indisponível, resolvi ficar com o Lumia, afinal, eu faço muito uso das plataformas da Microsoft, seja no sistema operacional ou em ambiente de desenvolvimento.

2. Experiência com o Windows Phone, em um Nokia Lumia 710:

O Windows Phone nos apresentou a interface Modern UI (ex-Metro, e hoje presente também no Windows 8), com a sua famosa homescreen com os blocos dinâmicos mostrando informações em tempo real dos aplicativos associados a eles e uma nova forma de interação usuário-aplicativo, sendo os aplicativos com um aspecto bem minimalista.

A primeira “dificuldade” com o Lumia 710 foi o fato dele usar um chip Micro SIM em vez do “tradicional”, que utilizava no iPhone. Demorei um tempo para migrar de chip, mas isso não me impediu de brincar com o Lumia até usá-lo “em produção” após a migração do chip.

Também me familiarizei rapidamente com a ModernUI. Mas ainda não me acostumei com a idéia do Hub de Pessoas, onde são agregadas todas as redes sociais do usuário. No iOS me acostumei a usar os aplicativos dedicados à cada rede, e tratei de procurá-los na Marketplace do Windows.

Aí já veio uma decepção: a Marketplace brasileira é bem pobre de aplicativos e jogos. Consegui achar alguns aplicativos similares aos que eu uso no iOS, vamos a eles:

- Redes Sociais: Twitter (cliente oficial), Foursquare - Leitura de Feeds: Weave - Sincronia de contatos com o Outlook: uma baita gambiarra que me desanimou - Cliente de Email nativo - Navegador Web: Internet Explorer - Player de Mídia nativo - Jogos: nenhum - Mensagem Instantânea: Nativo do sistema (no hub Pessoas, protocolo MSN), WhatsApp.

Achei o cliente do Twitter oficial melhor do que suas contra-partes no iOS e Android, pois com ele dá para ver as “mentions” de um determinado usuário de forma fácil através de sua interface Modern UI (sim, gosto de ver os arranca-rabos pelas mentions hehe). No cliente oficial para iOS e Android não há esta função de forma direta (ela é feita pela pesquisa em vez direto no perfil, e convenhamos, nela vem coisas não relacionadas). Já no Tweetdeck e Twitterrific ela é de fácil acesso).

O aplicativo Weave, ainda tem que comer muito arroz com feijão para chegar aos pés do Flipboard. Também testei o Pulse (também presentes no iOS e Android e já descontinuado no WP), mas cometeu um pecado mortal no WP: sem integração com o Google Reader.

O que achei o cúmulo foi NÃO ter integração direta com o Outlook. Opa, pera ae, você está dizendo que um sistema da própria Microsoft não tem integração direta com um próprio produto dela? Sim, isso mesmo. Até o iPhone e o Android tem.

Para poder transportar os contatos do Outlook (onde está tudo organizado) para o Lumia 710 é necessária a instalação de um plugin (o Hotmail Connector), a cópia dos contatos para uma conta da Microsoft (para a núvem), e depois sincronizar no Lumia. E não são os dados que são transportados. Muita gambiarra para o meu gosto.

Mas nem tudo foram trevas nessa parte: consegui transportar os contatos do iPhone através do aplicativo “Transferir Contatos” do Lumia, que usa a conexão Bluetooth para tal.

Quanto ao IE e outros aplicativos, não tenho queixas. Tirando uns bugs do Foursquare.

Uma outra coisa que gostei no Lumia foi o fato dele vir com a função de Hotspot WiFI, ou seja, ele compartilha a conexão 3G do aparelho de forma nativa, permitindo até 5 (cinco) conexões simultâneas. Com isso, o iPad, e até o próprio iPhone sem linha podem se beneficiar de uma conexão 3G.

E também ao usar o Lumia “pra valer”, substituíndo o iPhone, a duração da bateria não foi lá essas coisas. Ainda bem que eu sempre ando com o cabo do celular para carregá-lo no serviço.

O Windows Phone é um bom sistema, mas o ecossistema de aplicativos deixa a desejar… Assim sendo, voltei para o iPhone até troá-lo pelo Samsung Galaxy SIII, que estou usando no momento.

3. Experiência de uso com o Android 4.1.1 (Jelly Bean), em um Samsung Galaxy SIII:

O meu iPhone já está dando os sinais da idade, e o Windows Phone precisa comer muito arroz com feijão. Então resolvi pegar um smartphone com o sistema Android, da Google. Como eu não queria “descer de nível” do aparelho, peguei o Samsung Galaxy SIII.

Já tinha lido sobre a grave falha de segurança relacionada ao kernel modificado pela Samsung para rodar nos novos processadores Exynos (e à respeito de outras falhas também), já tinha lido reclamações à respeito da bateria do aparelho, vindas de um amigo que mora no Japão, sobre “root”, Custom ROMS, Play Store, e outros detalhes do ecossistema Android. Mesmo assim, me valendo 1800 Dilmas (desbloqueado em sem vínculo com operadora, ou seja, retail), peguei este aparelho.

Comprei o aparelho em uma autorizada da Vivo em um shopping famoso da Zona Leste de São Paulo, e um fato típico de vendedores xing-ling no momento em que o vendedor estava me demonstrando o aparelho me chamou a atenção: o capivara do vendedor estava propondo rootear o aparelho especificamente para instalar aplicativos piratas. Ele me veio com um papo de que mesmo se eu habilitar a função para instalar aplicativos de fora da Google Play (é bom lembrar que ela é nativa do Android), ao instalar aplicativos pagos ocorre um erro de licença inválida. Pensei comigo “ué… se eu comprar direto do desenvolvedor e instalar vai dar pau?”. Só depois saquei que o cara estava falando de aplicativos piratas.

Não sou hipócrita, pois em meu PC uso aplicativos piratas e já usei-os no smartphone desde os tempos do N95, mas essa NÃO é uma postura que um vendedor de loja autorizada de uma operadora deve tomar. Se fosse em um box lá da Santa Ifigênia, eu não iria estranhar.

Voltando ao sistema Android, também não me senti perdido ao utilizá-lo bem dizer pela primeira vez, pra valer. Aqui em casa meu irmão possui 2 aparelhos Android, um Sony Ericsson X10 Mini e um Motorola Milestone 3, além de sempre conversar com um colega de serviço, que possui um X10 Mini com Jelly Bean.

Em se tratando do meu “kit” de aplicativos básicos, achei-os na Play Store sem dificuldades: Tweetdeck, Facebook, Foursquare, Flipboard, Instagram, Chrome, Skype, WhatsApp…

Para importar os contatos instalei o Samsung Kies, que instala os drivers do aparelho e um aplicativo para gerenciar o conteúdo do aparelho: Ele importou os itens do iPhone através de um backup do iTunes, exceto as notas (já que a Sammy utiliza um aplicativo especial, o S Note).

Além dos contatos telefônicos, pedi a sincronia dos contatos com a minha conta Google. Facebook e Twitter deixei de lado da sincronia de contatos.

Tá certo que algumas coisas demorei à “pescar”, como o botão de Menu ser dinâmico conforme o app em primeiro plano. Mas foi só.

E os jogos… Esses também foram sem problemas, inclusive tendo versões grátis do Angry Birds Star Wars, Bad Piggies, entre outros que suas contra-partes no iOS são pagas.

Por enquanto não tenho o que reclamar do Galaxy, inclusive a duração da bateria. Tá certo que isso vou ver mais quando sair direto com ele. A única coisa que sinto falta é o app GPS, o iGo Primo. Mas para isso eu ainda uso o iPhone.

Então, dito a experiência com os três sistemas, vamos ao veredicto, lembrando, baseado na MINHA experiência de uso, e não sou fanboy nem hater de nenhuma plataforma:

- Empatados em 1º lugar: iOS e Android –> eles oferecem o mesmo “kit de apps padrão”, as interfaces são semelhantes. iPhone tem as suas limitações quanto a comunicar com outros dispositivos e compartilhar arquivos, mas isso sinceramente não me fez falta.

- Em terceiro lugar: Windows Phone –> Os apps Modern UI ainda precisam comer muito arroz com feijão, e a Marketplace do Windows Phone ainda é pobre.

Boas festas!

Leonel Fraga de Oliveira Leonel Fraga de Oliveira é formado em Processamento de Dados na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP - 2002) e anteriormente em Técnico em Eletrônica, pela ETE Professor Aprígio Gonzaga (lá em 1999).
Atualmente trabalha como Analista de Sistemas na Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul - SP
Tem como hobbies DJing (também trabalha como DJ freelancer) e ciclismo, além da manutenção dos sites NeoMatrix Light e NeoMatrix Tech.
Gosta de música eletrônica, tecnologia, cinema (super fã de Jornada nas Estrelas), gastronomia e outras coisas mais.


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