Análise de sistemas

Depois de muita novela e muitas discussões, ontem, no dia 19/08/2009, a comissão de Constituição, Cidadania e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o projeto de lei (PLS 607/07), que trata sobre a regulamentação da profissão de Analistas de Sistemas e Técnico de Informática.

Agora o PL segue para análise da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em decisão terminativa.

No projeto anteriormente aprovado pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), somente profissionais com diploma superior em Análise de Sistemas, Processamento de Dados e Ciências da Computação poderão exercer a profissão de Analista de Sistemas.

Agora, se você possui diploma de nível médio, em escola oficial ou reconhecida, dos cursos (ou equivalentes) técnico em informática ou programação de computadores, poderá exercer a profissão de Técnico de Informática.

A proposta torna privativa do analista de sistemas "a responsabilidade técnica por projetos e sistemas para processamento de dados, informática e automação, assim como a emissão de laudos, relatórios ou pareceres técnicos". Ou seja, se der alguma m*, é o seu que estará na reta :P. Aliás, nós Analistas de Sistemas que somos a “ponte” entre o cliente e o programador.

Seriam criados o Conselho Federal e conselhos regionais de informática (assim como temos o CREA para os cursos de engenharia, o CRQ para químicos, entre outros) para sugar o nosso dinheiro cobrar anuidades e fiscalizar o exercício da profissão. Mas, conforme disse Marconi Perillo (PSDB-GO), o relator do PL, a criação por projeto de lei seria inconstitucional, pois isso é atribuição do Poder Executivo.

Mas será que a criação deste conselho vai resolver alguma coisa? O mercado de informática hoje é composto por pessoas das mais diversas áreas.

Quantas vezes você já não viu por aí pessoas com formação de administração, engenharia, medicina entre outras que chegam aos cargos de diretoria de grandes companhias? E inclusive passando pelo cargo de analista de sistemas.

Diploma NUNCA foi sinônimo de conhecimento. Ele significa que você cursou E concluiu um curso em uma instituição, seja ela de ensino médio ou superior. Em uma faculdade, temos noção de como são ALGUMAS coisas. Conhecimento mesmo se adquire com PRÁTICA.

Se isso for com o intuito de separar bons dos maus profissionais, essa teoria é furada. O próprio mercado faz esta separação.

É clássica a cena de empresas que contratam apenas vendo diploma, e muitas vezes um profissional sem o canudo é melhor, em muitos aspectos, do que aquele diplomado que fez seu curso em uma Uni* da vida.

Vendo por outro lado, não dá para confiar um sistema de missão crítica e alta disponibilidade e que mexem com vidas humanas (sistemas de controle de vôo, sistemas médicos, entre outros) nas mãos de qualquer um.

Mas espera ae… As empresas que desenvolvem sistemas desse porte passam por N certificações, homologações e o K7 a quatro. Ou seja, elas por si só já são BEM fiscalizadas. Um erro, e um processo pode ser fatal.

Essa história de regulamentar as profissões relacionadas à informática é longa. Não digo que sou contra a regulamentação, uma vez que já sou formado em Processamento de Dados e já posso exercer a profissão (inclusive, sou funcionário público com o cargo de Analista de Sistemas e me foi exigido o diploma na contratação) tranquilamente.

A parte que não é legal, é pagar as anuidades dos conselhos e passar por poucas-e-boas na hora que for precisar de seus serviços.

O (des)governo já nos estupra com os impostos sobre as mercadorias de informática, e agora quer aprontar mais essa? Eu hein…

Enfim, já que é para regulamentar, que façam a coisa direito e não prejudiquem os bons profissionais que por conta do destino não puderam pegar o seu diploma.

Um abraço!

[via Meio Bit e TI Inside]