Bem, vamos lá a mais um post da série "Que modelo de país queremos.".

Na postagem anterior eu disse que irei bater muito na tecla de que o nosso maior problema é a desigualdade social. O famoso caso onde "1% da população detém mais de 50% da riqueza, enquanto os outros 99% se esguelam pela outra metade".

Embora a corrupção esteja a níveis alarmantes aqui em Banânia, a face mais visível para o grosso da população é a miséria, o desemprego, fome, a segurança pública, saúde precária, habitação. O povo quer saber de resolver estes males.

Nas redes sociais, muito se tem discutudo sobre "capitalismo x comunismo/socialismo" e outros "ismos", porém os argumentos são vazios. As redes são ambientes muito tóxicos para se discutir política. Tanto de um lado quanto do outro não há conhecimento do que se fala. Os "ismos" são mais utilizados para ofender o outro lado.

Porra, ainda estamos na Guerra Fria para ficar falando de comunismo? Ainda existe uma "ameaça comunista" a invadir o Brasil com a eleição de certo partido?

A realidade é que a desigualdade social não deixará de existir. Sempre existirão aqueles que detém mais riquezas (entenda por riqueza, o acúmulo de capital em suas diversas formas) que outros. Sempre terá aquela profissão que paga mais que outra, aquele bem de consumo que custará mais caro que o outro.

O que na verdade entendo por "reduzir a desigualdade social" pode ser mais entendido como reduzir a pobreza.

Mas não só reduzindo a pobreza, utilizando-se de artifícios de redistribuição de renda como o Bolsa Família, aumento de impostos conforme a renda, taxação de grandes fortunas, etc. Reduzir a desigualdade social significa dar acesso a serviços como saúde, educação e segurança para TODA a população, com níveis de excelência altos, a ponto de um cidadão rico preferir utilizar o serviço público em vez do privado.

Mas onde o bicho pega nas discussões, é quem deve fornecer estes serviços?

Agora não vou muretar: como penso pela esquerda, o "tripé básico" dos serviços (saúde, educação e segurança) devem ser fornecidos pelo Estado, devem ser gratuitos e universais.

Quanto ao gratuito, sabe-se bem que é "gratuito" entre aspas, pois já pagamos pelos serviços através dos impostos. Bem, os impostos deveriam estar sendo revertidos nesses serviços em vez de ir para cuecas, meias e malas dos políticos, né?

Devem ser universais porque toda a população tem direito ao utilizar o serviço público, tanto o pobre quanto o rico. Lembra que eu disse alguns parágrafos atrás que desejo que o rico prefira utilizar o serviço público excelente em vez de um particular? Segregar um serviço público pela renda não faz sentido.

Se todas as pessoas tiverem moradia, emprego e acesso aos serviços básicos e de alta qualidade para a sobrevivência, a pobreza estará extinta e por consequência a desigualdade social estará a níveis aceitáveis, de acordo com o conceito de que a desigualdade é inevitável.

Agora a quantidade de riqueza que cada um terá mais que o outro são outros quinhentos. O básico para sobreviver bem já temos, o resto dependerá das aspirações de cada pessoa.

Hoje a escolha do candidato a ocupar a cadeira da presidência da república está direcionada a pautas muito pontuais, e que são vistas a curto prazo, como a segurança pública. É sobre ela que será o próximo texto desta série! Chega de generalizar e vamos à pautas mais específicas, sobre o que eu penso disso tudo. Até as eleições o caminho é longo.