Separação entre Estado e Religião

Como já disse outras vezes aqui neste site, a religiosidade é algo estritamente pessoal, que normalmente é passada pela família. E que mesmo assim há muitas famílias heterogêneas quando o assunto é religião, a minha por exemplo: pais eram católicos, eu tenrikyano e meu irmão candomblé.

Em um ambiente público como o escolar há pessoas das mais diversas religiões espalhadas pelo país, e estas pessoas devem respeitar a escolha do outro.

Recentemente esteve em julgamento uma ação de inconstitucionalidade contra a possibilidade de que o ensino religioso em escolas públicas tenha o caráter confessional, ou seja, que as aulas podem seguir o ensinamento de uma religião específica. A votação está suspensa, com o placar de 5 a 3 a favor do ensino religioso confessional.

Partindo do princípio que nosso estado é laico, as instituições públicas não devem promover o ensino de uma religião específica. Grupos de direita como o MBL reclamam de "doutrinação marxista" nas escolas, desejam a babaquice do "Escola sem Partido" e outras baboseiras, chiam ao ouvir a palavra "gênero", e não dão um pio sobre o ensino religioso. Ensinar os preceitos de uma única religião seria o quê? Exatamente isso, meu caro gafanhoto: D O U T R I N A Ç Ã O! Doutrinação religiosa para a direita está OK então?

Mesmo que as aulas de religião sejam opcionais, sou veementemente contra o ensino religioso nas escolas públicas. Especialmente porque a religião dominante no Brasil é aquela que é contra a diversidade, principalmente de gênero / sexual. Se quisermos que os alunos aprendam sobre a diversidade (sexual, cultural, etc), não devemos ensinar um dogma que é contra isso.

Será que teremos um professor para ministrar preceitos do candomblé, da umbanda, do judaísmo, do tenrikyo, do budismo, do ateísmo, entre outros? Meio difícil a logística, né?

Agora, se quiser aprender religião da mesma forma que aprende matemática, física, química, português e outras matérias do currículo escolar, que tal procurar uma instituição privada que tenha o ensino de determnada religião? Neste caso sim, uma entidade privada poderá ter o ensino religioso, e faz a matrícula quem quer e procura isso especificamente. O ensino público deve ser neutro quanto a religião.

A ligação estreita entre Estado e Religião só pode dar merda. Por exemplo, as festas de aniversário, inclusive infantis foram proibidas na Arábia Saudita (fonte). E o Estado religioso infuenciando contra uma liberdade individual. Isso vale para quem é islâmico ou não.

A justificativa é para que as famílias evitem despesas desnecessárias. Poxa, se EU quiser gastar em uma festa para o meu filho que problema isso vai causar para o Estado? Pelo contrário, estarei fazendo a economia girar! Com o meu dinheiro, faço o que eu quiser. Não quero Estado e religião nenhuma tolhendo esse direito.

Separação TOTAL entre Estado e Religião seria o ideal. Nosso Brasil é plural, não tem cabimento leis feitas com base em uma religião que não é seguida por 100% das pessoas.

Portanto, se o STF liberar ensino religioso confessional em escola pública, estará dando uma bela de uma bola fora.

Fonte: STF suspende julgamento com 5 votos a 3 por aulas de uma só religião (UOL)