Velocidades nas Marginais Tietê e Pinheiros

Dia 25/01/2017 a cidade de São Paulo completa 463 anos. É muita história para contar.

E o prefeito João Dória Jr. (PSDB) vai nos "presentear" com o aumento das velocidades regulamentares das Marginais Pinheiros e Tietê: 90 km/h na pista expressa, 70 km/h nas centrais, 60 km/h na pista local, enquanto as faixas de ônibus continuam com 50 km/h. A gestão anterior de Fernando Haddad (PT) tinha diminuido essas velocidades, alegando que tornaria o trânsito mais seguro.

De fato, o número de mortes nas marginais diminuiu. Não só nas marginais, mas também no geral. Claro, isso se deve em partes pela redução de velocidade.

Desde das primeiras falas de Dória sobre o aumento de velocidade nas marginais, a mídia de oposição "sentou o pau" no prefeito, enquanto as chapa-branca apóiam, como sempre. O grupo Ciclocidade (Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo), no dia 19/01/2017 entrou com uma ação na Justiça pedindo a suspensão do aumento de velocidade. Um juíz deferiu o pedido, porém a Prefeitura recorreu e o aumento dos limites de velocidade está liberado.

Porém, indo na contramão dos meus amigos e colegas de esquerda (visto que também inclino para a esquerda), sou a favor da revisão e aumento das velocidades em algumas vias, inclusive nas marginais.

Antes, uma pequena digressão: como minha posição no espectro político-ideológico é centro-esquerda, que acha que a desigualdade social é o maior problema que enfrentamos hoje, votei em Fernando Haddad nas eleições municipais. Pois penso que João Dória Jr (e o PSDB em geral) é apenas um fâmulo da plutocracia (e um plutocrata em si), ou seja, governará para os mais ricos em detrimento dos mais pobres.

Pô Leo, você sendo de centro-esquerda, e principalmente ciclista, deveria ser contra o aumento da velocidade, não?

Pois é, caro leitor! Mas devemos sempre nos lembrar que mesmo me admitindo de uma certa corrente político-ideológica, eu NÃO "rezo toda a cartilha" da mesma! Tem pautas que sou contra, outras a favor. Mas isso não é questão para agora.

Como motorista, andar a 50 km/h na via local é, num português bem claro, um pé no saco. Essa não é uma velocidade "natural" de cruzeiro, fica difícil manter sem tirar o olho do velocímetro. Não é nem questão de correr, visto que EU sempre ando de boa. A pista foi projetada para uma velocidade maior.

Antigamente, eram 70 km/h na local, certo? Realmente, 70 km/h em uma pista com acesso a lotes lindouros e conversões para a direita (na esquerda fica o rio - para atravessar, só por pontes), fica deveras perigoso. Já 60 km/h é uma velocidade boa para se andar na local, e mantendo os 50 km/h na faixa da direita está de bom tamanho.

As pistas expressas sim, são de trânsito rápido, ou seja, sem cruzamentos em nível e acesso aos lotes lindouros. Nestas um limite de 80 km/h já estava de bom tamanho, porém como o limite anterior eram 90... Aliás as pistas expressas das Marginais são denominadas rodovias, né?

O que causa mais acidentes é a imprudência. Motoristas que ficam costurando, motociclistas no corredor, caminhões em alta velocidade. E a imprudência causa acidente independente do limite de velocidade.

Indústria da Multa? Disso não posso falar, pois até o momento nunca tomei multa por excesso de velocidade, tanto em rodovia quanto em vias locais.

Mas aí faço um mea-culpa: praticamente TODOS que andam nas mesmas vias todo o santo dia já sabe onde está o radar, e reduzem a velocidade ao se aproximar de um. Como eu disse, se a pista é de 50 km/h, esticamos para 60 km/h e diminuimos um pouco antes do radar, já que as multas são aplicadas pela velocidade instantânea em vez da média.

Um caso bem particular meu é a Avenida Jacu-Pêssego. Até a entrada da Av. Ragueb Choffi, em São Mateus, ela é uma via arterial, com faixas largas (porém com "solo lunar", infelizmente) e limite de 50 km/h. Já depois do viaduto, ela segue como uma via de trânsito rápido, sem cruzamento ou acesso a lotes lindouros, e até a divisa de Mauá o limite é de 50 km/h. Só que depois da divisa de Mauá até o Rodoanel Sul, ela continua como uma via de trânsito rápido porém o limite de velocidade é de 70 km/h na maior parte, caindo para 60 km/h em alguns trechos.

Normalmente no "trecho urbano" a "esticada" fica em 60 km/h, porém na parte de trânsito rápido, a "esticada" chega a mais de 100 km/h! Nessa parte de trânsito rápido, o limite bem que poderia voltar a 70 km/h e ficar uniformizado com o trecho do município de Mauá ou até mesmo 80 km/h, enquanto na parte arterial pode ficar nos 60 km/h.

Agora, falando como ciclista: sou o que alguns podem chamar de "ciclista gourmet", já que ando com uma "bike de marca" e todo paramentado com iluminação dianteira e traseira, além de roupa de ciclismo e capacete. Encaro a bicicleta de forma esportiva e também recreativa, não utilizando a mesma para me deslocar para o trabalho (imagina pedalar 40 km para chegar no trampo!).

Recreativamente, eu pedalo sozinho, porém nessa seara a minha atividade principal é pedalar nos grupos noturnos. Andamos por várias vias da cidade, inclusive nas marginais. Já esportivamente, costumo pedalar mais em estrada.

O Código de Trânsito Brasileiro é claro: bike não pode em via de trânsito rápido. Se enquadram nessa classificação as pistas expressas das Marginais e a Av. 23 de Maio. Porém as vias locais das Marginais Pinheiros e Tietê NÃO são vias de trânsito rápido! E nesse caso, o CTB diz para ocuparmos a faixa da direita, e nesta a velocidade permanecerá nos 50 km/h.

Mesmo com os limites de 50 km/h, há motoristas que não respeitam o ciclista. O respeito às pessoas mais vulneráveis no trânsito deve reinar independente do limite de velocidade. Como motoristas, devemos sempre estar atentos a ciclistas na via. Ficou lento para ultrapassar? Se você é bom de vista e é inteligente, que tal mudar de faixa bem antes de encontrar um pelotão? Vai fazer uma conversão em breve? Não custa andar um pouco mais lento e fazer a conversão de forma mais tranquila.

Uma outra pequena digressão antes de terminar: imagina você à noite no carro, e de repente vê um ciclista na sua frente. Sem iluminação ou sinalização, e ainda na faixa da esquerda. Esse é um caso onde o ciclista está errado, e não uma vez. Primeiro por estar na faixa da esquerda, e outra andar sem iluminação principalmente traseira à noite. Tem vezes que o ciclista em questão está voltando/indo para o serviço e está com uniforme com tiras refletivas (pelo meno isso). Só daí temos uma ideia que ter iluminação na bicicleta não é coisa de "ciclista gorumet", e sim um equipamento de segurança muito importante. Já presenciei VÁRIOS casos assim, principalmente na periferia (minha área).

Então, fazendo esta análise de forma totalmente independente de partido ou ideologia política, e crendo que a educação no trânsito é a forma mais eficiente de reduzir acidentes e mortes, sou a favor não só do aumento da velocidade nas marginais, também sou a favor na revisão do limite de algumas outras vias.