Ciclismo de estrada. Pena que a puliça esteja barrando a circulação de bike em algumas.

Nesse mês de agosto tivemos os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, e uma das modalidades que tivemos por aqui é o ciclismo de estrada. Feras nacionais e internacionais vieram competir por aqui.

Lá fora, principalmente na Eurupa, o ciclismo de estrada é uma modalidade deveras popular. As provas mais famosas do mundo acontecem lá. Quem não conhece o Tour de France?

Aqui no Brasil o ciclismo está crescendo bastante, seja ele recreativo, cicloviagem, ou esportivo (quando falo esportivo, falo com a intenção de treino, com a finalidade de participar de competições). Eu mesmo comecei a pedalar para valer lá por volta de 2014, nos grupos noturnos que existem na cidade de São Paulo.

E também a partir desses grupos de pedal comecei a me interessar pela modalidade Randonée, que consiste em provas "contra o relógio": você tem que percorrer tal distância, em determinado tempo, passando pelos postos de controle, denominadas como Brevets Randonée Mondiaux, o BRM, popularmente chamada por aqui de Audax (essa é uma outra modalidade de prova ciclística, mas isso é outra história).

Existem os BRM mistos, que anda tanto na estrada quanto tem trechos de terra, e os de estrada propriamente dito. Claro, também existem provas de MTB no estilo randonée, porém não são do circuito da ACP (Audax Club Parisien, a entidade que homologa os Brevets).

Só que ultimamente, do início do ano para cá, a Polícia Rodoviária Federal está barrando os ciclistas de andarem por algumas estradas, como por exemplo, a Mogi - Bertioga e a Rio - Santos, no litoral paulista.

Hoje (27/08/2016) aconteceu o BRM 200 e Desafio, pelo clube Randonneurs Litoral, e o percurso é justamente a Rodovia Rio - Santos de Ubatuba (SP) até Paraty (RJ), porém soube que o desafio foi interrompido e cancelado, suponho eu por causa da PRF. Alguns colegas meus de pedal participaram deste desafio.

As autoridades alegam o perigo de andar nestas estradas. Sim, concordo que é perigoso, mesmo andando no acostamento, e nos trechos de ausência do mesmo (principalmente em trechos de subida), à direita da pista, conforme manda a lei. Porém o ciclismo em si é um esporte de risco, não só por causa de atropelamentos, como também por quedas por qualquer motivo.

Conforme o número de ciclistas foi crescendo e o esporte sendo mais divulgado na mídia, a quantidade de acidentes envolvendo ciclistas e motoristas também cresceu nesta proporção. Tivemos mortes nas ruas e estradas, e mesmo ciclistas muito experientes infelizmente perderam a vida por causa de um motorista que dormiu ao volante e o atropelou.

Pois é, pelo menos nas estradas, a maioria das mortes de ciclistas ocorrem por causa de maus motoristas. Seja porque dirigiu cansado, porque bebeu e foi dirigir, seja porque deu uma de machão, andou bem acima do limite de velocidade e perdeu o controle do carro, enfim.

Infelizmente esses maus motoristas matam e não ficam um bom tempo na cadeia. Lembra do caso em que um motorista arrancou o braço de um ciclista, jogou-o no rio e agora está solto?

E quem acaba pagando o pato por causa desses caras? Isso mesmo, é o ciclista, que por causa de maus motoristas que podem causar acidentes, ficam impedidos pelas autoridades de andar nas estradas.

Agora, como não participo da organização de provas, não sei dizer se é necessária autorização prévia por parte das autoridades para a organização das provas randonée. Em cada edição são centenas de participantes, é muito ciclista indo pelo acostamento da pista. No início da prova é normal formar pelotões, que vão se dispersando conforme a prova anda.

Acho que os clubes organizadores conversam com a PRF, ou outro órgão que cuida das estradas.

Mas não é só nas provas que acontece isso, até grupos de ciclistas são barrados.

A lei permite andar de bicicleta nas estradas, desde que se respeite a regra, claro. Se uma conversa com o chefe da autoridade não resolver, não carece dos ciclistas organizarem um protesto pela liberação de andar nas estradas que atualmente barram? Fazer campanhas para punir de verdade os maus motoristas, enfim.

Sim, acho que um protesto é uma etapa que deve acontecer, para mostrar que nós ciclistas não estamos satisfeitos com a proibição. Como querem difundir o esporte por aqui se a polícia não deixa por causa dos maus motoristas? Já não temos lugar para treinar, agora barram as estradas? Pagamos imposto e pedágio (quando no papel de motorista) para quê?

Pô, seu puliça, deixa a gente treinar na estrada! Nós nos sabemos cuidar, assumimos os riscos inerentes ao esporte, a responsabilidade do que acontecer conosco é nossa, não temos culpa se maus motoristas causam os acidentes.