Pois é, seu nome é usado em vão pelos nossos digníssimos políticos...

Religiosidade é algo muito pessoal, sendo passado através de gerações nas famílias. As vezes um membro de uma famlília que segue deterninado ensinamento pode simplesmente mudar de religião. Meus pais eram católicos, porém eu segui pelo caminho da Tenrikyo e meu irmão pelo do Candomblé, sendo que essa divisão de caminhos não influencia em nosso relacionamento, apenas tentando manter as coisas o mais neutro possível dentro de casa neste quesito.

Cada local do mundo possui uma religião “mais influente”, e existem locais em que muitas religiões existem ao mesmo tempo e tentam ser tolerantes uma com as outras, e também tem aqueles lugares em que a religião dominante impõe seus credos às pessoas, chegando a provocar guerras em nome de seu Deus.

Um Estado, quando eleito pela maioria de votos de uma população, deveria representar toda a população de uma região. Por exemplo, aqui em São Paulo, quando elegemos nossos vereadores e prefeito, estes devem fazer leis que beneficiam a população como um todo, e não determinados grupos.

Misturar Estado e Religião é a fórmula perfeita para dar merda, vejam só o que acontece em áreas onde o governo é baseado em uma interpretação da lei islâmica. Há repressão para mulheres, homossexuais, outras religiões e diversos outros grupos.

O Brasil oficialmente é um Estado Laico, onde a religião teoricamente não deveria influenciar nas decisões governamentais, mas infelizmente não é isso que acontece.

Os ~digníssimos~ vereadores da Cidade de São Paulo aprovaram o projeto de lei 306/2015, do vereador Eduardo Tuma (PSDB – tucanalha, portanto), que cria em 25 de dezembro (não por coincidência, o Natal, onde comemora-se o nascimento de Jesus Cristo) o “Dia do Combate à Cristofobia”.

Mas COMO QUE É? Onde, aqui no Brasil, um cristão é agredido, podendo ser morto apenas por ser cristão? Onde, no Brasil, cristãos são discriminados em empregos? Onde, aqui no Brasil, cristãos não podem se casar legalmente? Onde as pessoas tem medo de cristãos?

Agora que tal um exercício, trocando a palavra “cristão” por “LGBT”?

Pois é, enquanto os direitos dos LGBTs são tolhidos justamente por causa de valores ditos cristãos, influenciando os governantes, os seguidores de Cristo não encontram quaisquer dificuldades para fazer certas coisas. Inclusive discriminar homossexuais em sua crença.

Vamos fazer mais um exercício, igualzinho ao anterior, mas para isso peço que leiam o texto que vou indicar neste link. Vê alguma semelhança?

Tuma argumenta que a intolerância religiosa tem crescido com o decorrer dos anos, apesar do Brasil ser laico: "Nos  últimos  anos  o  ataque  às  pessoas  que  professam  sua  fé  tem  crescido  em  demasiado, especialmente aos cristãos,  desde   desrespeito   com   símbolos   religiosos e xingamentos". Bem, desrespeito à símbolos religiosos pelo que eu saiba já é tipificado em Lei.

Na era moderna, no Século XXI não são tolerados mais certos dogmas, como a condenação da homossexualidade. Talvez esses “ataques aos cristãos” (evangélicos, principalmente), possam ser interpretados como revide, não acha? Quem com ferro fere, com ferro será ferido.

Intolerância religiosa vejo acontecer por parte de evangélicos principalmente contra religiões de matriz africana. Que tal também criarmos um “dia de combate à candombléfobia”?

Acho que pastores (principalnente esses que apenas se locupletam dos fiéis), padres e demais líderes religiosos deveriam ser proibidos de disputarem cargos eletivos, pois os projetos propostos por esses caras querem impor a toda uma população suas crenças via Estado. Separação total entre Estado e Religião, saca?

Você pode me perguntar: votaria em algum candidato da sua religião? Se for líder de igreja e afins, eu não votaria. O que eu disse acima inclusive vale para a minha religião. Aliás, eu nunca ouvi falar de um condutor de igreja / casa de divulgação do Tenrikyo se candidatar para alguma coisa aqui no Brasil. E também nunca vi alguém fazer propaganda política dentro de uma igreja da minha religião. Não sei como funcionam as coisas na cidade de Tenri – onde fica a sede mundial da Tenrikyo -, no Japão. Sabe que eu tenho essa curiosidade?

Os vereadores de São Paulo já me decepcionaram ao reprovar o Uber (com exceção do Police Neto), cabendo ao Prefeito Fernando Haddad aprovar via decreto; agora nova decepção ao aprovarem essa baboseira de cristofobia. Se Haddad tiver bom senso, vetará essa lei. As eleições estão aí, hein!

Fonte: [PiG, ops, G1]