Hoje é sexta-feira 13.

Treze é um número carregado de muito simbolismo, remetendo normalmente a azar. E também é o múmero de um dos partidos políticos mais falados no Brasil atual, o PT.

Ontem (12) o senado votou o afastamento da presidente Dilma Rousseff por até 180 dias. Neste interím haverá o julgamento, e possível absolvição ou condenação definitiva. O vice Michel Temer assume iterinamente a Presidência nesse período.

Dilma foi eleita com 54 milhões de votos, e não teve sossego no segundo mandato. Com uma câmara mais reacionária e opocisionista do que de costume, à mercê de Eduardo Cunha, não havia conversa, ela travava tudo. Como diz o jornalista Paulo Nogueira, a pior câmara que a plutocracia pôde comprar.

Sim, isso é efeito do financiamento privado de campanhas. Empresas (e outras instituições) não doam para políticos, e sim investem, e como em todo investimento, almejam retorno. Retorno este que pode vir na forma de flexibilização de leis trabalhistas, relaxamento nas definições de trabalho escravo, de isenção de impostos para igrejas, a não regulação da mídia, ou seja, tudo a favor dos plutocratas.

Os candidatos apoiados e financiados pela mídia plutocrática e por outros setores da plutocracia não ganham no voto há 14 anos. Conseguiram chegar ao poder através disso que eu considero um golpe midiático-judicial-parlamentar, cujo processo foi iniciado por um presidente da Câmara de Deputados mais sujo que pau de galinheiro. Como diz o já citado Paulo Nogueira, esse foi o dia que a plutocracia tomou de assalto a democracia.

A capivara dos digníssimos senadores que votaram também dá as voltas no planeta. Há até a “bancada do pó” (Aécio Neves, Zezé Perrella – dono do Helicoca, com 450 kg de pasta base de cocaína, e da fazenda onde foi apreendido o mesmo pela PF -  e Collor)!

Temer mal começou o governo e já tivemos mudanças, e se você acredita que elas foram feitas visando acabar com a corrupção, está enganado: nada mais do que NOVE envolvidos no Petrolão foram nomeados ministros. NOVE: Henrique Alves (Turismo - PMDB), Eliseu Padilha (Casa Civil – PMDB), Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo – PMDB), Bruno Araújo (Cidades – PSDB), Raul Jungmann (Defesa – PPS), Jose Serra (Relações Exteriores – PSDB), Mendonça Filho (Educação e Cultura – DEM), Ricardo Barros (Saúde – PP) e Romero Jucá (Planejamento, Desenvolvimento e Gestão – PMDB).

Aliás, o próprio Temer também tem o nome no Petrolão!!! E ainda pode ficar inelegível por 8 anos devido a crimes eleitorais.

Dilma chegou a nomear o ex-presidente Lula para o ministério da Casa Civil, e ele não pode assumir o mandato por causa de ações na Justiça, justamente visando que ele não tivesse o foro privilegiado para escapar das investigações do Petrolão. E os coxinhas foram bater panela na Paulista e em outros lugares após o anúncio.

O mesmo ministério hoje é ocupado por um sujeito que tem rabo preso no Petrolão, e não ouvi nenhuma panela bater, por quê?

Uma das piadas no ministério de Temer foi Gilberto Kassab na pasta da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Kassab foi prefeito de São Paulo, deu piti numa unidade de saúde, bancou R$ 420 milhões do Itaquerão (Estádio do Corinthians) na forma de CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), que podem ser comprados por empresas para pagarem impostos municipais, ou seja, é dinheiro público bancando estádio particular; fora diversas outras pendengas na justiça.

A outra piada é José Serra. Dispensa apresentações, principalmente quando se é, ao lado de sua família, o maior beneficiário do maior crime de lesa-pátria deste País, a Privataria Tucana. Não cumpriu o que prometeu quando foi prefeito de São Paulo, de ficar até o final do mandato. E ele largou o senado para ser ministro de Temer. Serra é alguém que cumpre as promessas pela metade. Ah sim, já contei que ele também é citado no Petrolão?

E também o engavetamento de investigações de aliados já começou, com Gilmar Mendes suspendendo a investigação de Cheirécio Neves em Furnas. Também a denúncia contra Renan Calheiros saiu de vista. Na cara dura, nem disfarçam mais.

Como alguém com posição de centro-esquerda, acredito que o maior problema do Brasil é a desigualdade social e a corrupção e consequência dela, creio que um governo fechado com a plutocracia causará mais dano ao país, principalmente para as camadas mais pobres da sociedade.

Muita gente mais à esquerda que eu até torcem para o novo governo Temer não dar certo, e falar um sonoro “eu avisei” para a turma coxinha. Já eu não jogo nesse time, torço para que a situação melhore, se isso acontecer ficarei positivamente surpreendido.

Porém se não dar certo, não ficarei surpreendido, pois esta que é a minha expectativa inicial, e este governo no início já se encontra com “saldo negativo”, pelos acontecimentos ditos acima.

Nem fico mais puto com a mídia plutocrática, agora chapa-branca, representados pela Revista Veja, Estadão, Folha, e pela maquiavélica Rede Globo, o câncer do Brasil, entre outros. Desde a ditadura militar o papel dela é ficar contra idéias progressistas. Simplesmente não consumo suas mídias, embora para algumas coisas que não sejam política seja inevitável.

Agora, fico puto sim com esse pessoal que bradava contra a corrupção agora se calar (inclusive alguns conhecidos). É muita hipocrisia por parte dos coxinhas, principalmente de movimentos como o MBL e o Vem pra Rua, pois agora que o PT saiu fora (deveria sim sair, mas via voto e não golpe) se calam com a proteção via nomeação para ministro de pessoas corruptas, da suspensão de investigação. Não fico triste porque a Dilma saiu, só votei nela pois as outras opções no segundo turno ou era o Aécio ou votar nulo, não tenho político de estimação, e sim pela já citada hipocrisia das pessoas.

Aqui algumas pequenas digressões: uma vez me perguntaram se eu chamo de coxinha (de forma pejorativa, visto que é um delicioso salgado) apenas aqueles que não votam no PT. Não, chamo de coxinhas aquelas pessoas individualistas, super-conservadoras, que não prezam pelo social, normalmente de direita, que acreditam piamente na mídia plutocrática (estes, mais uma denominação: midiota), independente do partido em que votam ou deixam de votar.

A esquerda não é só o PT, ela é enorme. Como disse, a minha orientação é centro-esquerda, mais ao centro. Há algumas pautas normalmente defendidas pela esquerda em que a minha posição é mais conservadora, como a legalização de drogas, aborto, e cotas raciais. Em outras pautas, sou progressista, como questões de gênero. Não me considero direita por justamente acreditar que devemos miminizar ou extinguir a desigualdade social. Economicamente até me considero liberal, pois acho que o Estado interfernido de forma demasiada na economia atrapalha, acredito em livre concorrência. Até pode privatizar, mas desde que não metam a mão em áreas como Saúde e Educação e que políticos não se locupletem no processo, igual ao nosso excelentíssimo Ministro das Relações Exteriores, José Serra.

Desde o começo do segundo mandato de Dilma até agora, os coxinhas protestaram, não reconheciam um governo legitimamente eleito por 54 milhões de votos, a oposição (leia-se Cheirécio Neves) não soube perder. Agora, é a esquerda que não reconhece o governo Temer, e eu espero que também protestem e muito, não dêem sossego ao Temer igual fizeram com a Dilma (desde que sem quebra-quebra, agressões, e badernas, claro – se o governo vier com truculência, aí já é outra história). O direito é igual para todos, não?

Não vamos negar que estamos em um novo ciclo. A esquerda deverá ir à luta para voltar ao poder, e acho que os partidos já aprenderam a lição de como escolher seus aliados.

Enquanto isso, a vida de nós cidadãos “comuns” continua, acho que sobreviveremos a tudo isso, assim como no passado.