Ano novo, novas pedaladas!

A minha temporada de provas randonée em 2016 na verdade começou no final do ano passado, com as tentativas do BRM 200 de Itanhaém, onde desisti aos 130 km de prova, mais ou menos e o Desafio 70 de Santana do Parnaíba, pela famosa estrada dos Romeiros, em que cheguei 1 hora após o tempo. Ambos foram organizados pelo Randonnerus Litoral.

Tudo preparado!

Uma prova que eu estava esperando era justamente o Brevet 200 km do Bairro do Cedro, organizado pelo Randonneurs Mogi das Cruzes. Fiz ela na temporada passada, onde desisti antes de subir a serra entre Salesópolis – Cedro por conta do forte calor. Era a minha segunda tentativa de buscar esse Brevet.

Claro que após essa participação do ano passado fiz alguns pedais pelo percurso Mogi – Cedro, tanto de mountain-bike quanto de speed, e em um pedal de speed consegui fazer os 150 km (75 ida + 75 volta) em um tempo bruto de 10 horas (8h30min movimento + 1h30min de paradas, mais ou menos), o suficiente para a média das provas randonnée.

Quando foram abertas as inscrições, fiz a minha, e só me alertei que a rota tinha sido alterada após preencher a ficha! Mas não achei a alteração ruim, muito pelo contrário, pois com algumas exceções era basicamente um pedal que eu tinha planejado de fazer! Mas aí um ponto do percurso estava em obras e o organizador, Rafael, voltou para a rota antiga.

Chegando a data a minha única preocupação era um dos pneus da bike de estrada que estava abrindo o bico e não saberia se ele iria aguentar o BRM, pois teria estrada suja, além de descidas fortes. Se o pneu estourasse, eu iria me ferrar legal, então pensei “deixa eu trocar saporra logo para ficar mais tranquilo”. Ah, e a MTB estava precisando trocar as pastilhas dianteiras.

Como Mogi das Cruzes, onde foi a largada, fica a “só” 40 km de casa, acordei as 5 da matina, tomei meu café e parti por volta das 5:40, as coisas já estavam arrumadas desde o dia anterior dentro do carro.

Passaporte para o Brevet

Chegada sossegada, vistoria OK e largada às 7:00. Até o PC 1 em Guararema eram 25 km, com algumas subidas leves e o descidão da Serra de Sabaúna. Percurso deveras sossegado, cheguei ao centro de Guararema sem problemas e com boa média de velocidade. Chegando lá fui orientando uma outra participante da prova pelo caminho até o PC, na Padaria Delícias do Chefe (igual ao ano passado), mas quando ganhamos a praça cadê a padoca? Estava fechada, ela havia mudado! Sim, a padaria mudou para bem dizer a mesma rua, só um pouco mais à frente, para um espaço BEM maior. Na carta-rota ainda estava o endereço antigo.

A padaria Delícias do Chefe, em Guararema, mudou de lugar. Ainda bem que não era longe da original hehe.

Já no PC, comprei somente uma coca-cola com a intenção de pegar o comprovante para mostrar a passagem pelo PC, pois como eram apenas 25 km e bem dizer só descida, ainda não era hora de consumir o que havia levado ou de comer mais.

Já tinha ido para Guararema com bike speed, mas nunca havia voltado pela Serra de Sabaúna com ela, então não sabia o quanto iria ser pesada. E até que foi sossegado, com o empurra-bike somente no final dela. O percurso até a bica foi feito de boa.

E por falar em empurrar, chegando próximo a bica tinha um carro atolado em uma vala na lateral da pista, e um ciclista parou para ajudar a desatolar o carro. Quando passei, solicitaram a minha ajuda também e fui ajudar. Depois um terceiro ciclista também entrou nessa onda e nós três, mais o motorista, conseguimos tirar o carro da valeta e voltar para a pista. Como era descida, o motorista ficou atento ao freio de mão. O motorista havia dormido ao volante, mas graças à Deus não aconteceu nada de grave. Dado um tempo ele continuou a subir a serra.

Depois da serra era continuar até Mogi e aí seguir para o Cedro via Salé. Como já conhecia bem o caminho, havia programado uma parada em um posto próximo a entrada de Biritiba Mirim para reabastecer. Fiz essa parada, comprei água e energético, aquele que te dá asas. Fiz o abastecimento e zarpei logo. O tempo de prova e a velocidade estavam administrados.

Alguns km depois da divisa Biritiba-Salé a cobra já estava fumando: uma câibra começou a atacar a coxa direita. Quando forçava o pedal para baixo, a perna doía. Fiz uma parada para alongar e a dor aliviava. Nessas horas que eu agradeço as aulas de ginástica laboral do trampo, ajudam e muito nos pedais!

Segui meu caminho, e fiz uma outra parada (programada) em uma padaria que fica um pouco depois do portal de Salesópolis para reabastecer e aí dar uma descansada maior por conta da perna. Ah sim, neste ponto a panturrilha direita resolveu acompanhar a coxa e começou a dar câibra também.

Ainda faltavam 30 km para o Cedro, era chegada a parte mais difícil do Brevet e fui. Em vez do calor do ano passado eram as dores a dificultar a minha vida. A previsão do tempo dizia que iria chover, porém só deu uma garoa fina, enquanto que eu esperava um toró, já que era verão e as chuvas nesse período são fortes. A temperatura estava agradável para pedalar.

Com as dores o empurra-bike já era uma constante, o tempo para chegar ao PC 2 antes do fechamento já estava começando a apertar. Sim, já tinha feito esse pedal de speed antes, mas como ganhei alguns quilogramas desde essa data, e relaxado nos “longões” e no pedal em geral, claro que as coisas seriam mais difíceis, né! Até pensei em voltar para Mogi faltando uns 10 minutos para fechar o PC, mas como já estava no topo da serra do Cedro (km 118 da SP-88, faltavam 10 para o Bairro do Cedro) e iria começar a descer, pensei em seguir até o PC, e assim o fiz.

Cheguei ao PC com 15 ou 20 minutos de atraso, e fiz uma parada mais longa para me alimentar, hidratar e descansar as pernas. Mais pessoas também estavam neste PC, e duas resolveram voltar de carona.

Os 5 km iniciais da volta até que foram sossegados, os 5 finais que seriam mais difíceis por conta da inclinação, e claro, bora empurrar a bike para subir. Senti saudades das marchas leves da MTB nessa hora. Nem me preocupava mais com o tempo de prova, o brevet já “havia ido para o saco”, a intenção era apenas completar o percurso.

Durante esse percurso, uma cachorrinha estava me acompanhando :). Ela só não conseguiu acompanhar quando peguei o trecho de descida.

Chegando em Salé por volta das 19:00, fiz uma parada longa, avisei ao Rafael que iria chegar tarde, e parti por volta das 20:10 para Mogi.

O percurso de 40 km de Salesópolis até Mogi, que nas CNTP eu faria em até 2 horas e meia independente do tipo de bike, consegui fazer a proeza de fazê-lo em 4 horas e meia! Os km iniciais beirando a (ex-)represa foram sossegados, estava em uma boa velocidade, a subida do km 89 da SP-88 foi feita empurrando. Por conta das dores na perna direita fui fazendo algumas paradas, e andando um pouco para aliviar a dor.

A dor era tal que um falso-plano com inclinação positiva se transformava em uma montanha, mesmo em marcha leve! Era empurrar o pedal e doía. E era só a perna direita, a esquerda estava OK.

E a noite estava estrelada, gostosa de se pedalar pela estrada. Nos trechos sem iluminação eu usava o farol forte, trocando para o piscante nos trechos com iluminação pública. A preocupação era os cães que vinham atacar!

Se quiser resgate em um BRM do RMC, como diz o passaporte, reze para Deus. Tive a oportunidade de resgate por um grupo que estava buscando outros ciclistas, mas declinei da carona e segui meu caminho. Era eu e Deus na estrada, além dos motoristas, que me respeitaram.

Os Brevets do RMC são duros, e não só por conta da altimetria.

Indo nesse anda-pedala-anda, cheguei em Mogi por volta das meia-noite e meia, um “perdido” de 4 horas em relação ao limite! As dores me tiraram o brevet, mas finalmente completei o percurso do BRM do Cedro, com seus insanos 4000m de altimetria em 200 km. Dessa vez a bike foi perfeita, sem pneu furado, sem câmbio desregular, nenhum raio quebrado.

Vou tentar novamente o Cedro no ano que vem, provavelmente na rota nova, e claro, há também outros brevets por aí a serem pedalados! Fevereiro tem um desafio em Bertioga pelo Randonneurs Litoral e um BRM 200 em Boituva (esse eu brevetei ano passado, mas em uma rota modificada por conta de obras na rota original) e em Maio o de Holambra pelo Audax Randonnerus SP.

Bora treinar para esses desafios!!!