Retrospectiva pessoal de 2015: um ano para esquecer
Leonel Fraga de Oliveira 19/12/2015 21:51

E lá vamos nós chegando a mais um final de ano.

O ano de 2015 está se despedindo, e convenhamos, esse foi um ano deveras complicado em diversos aspectos, seja no mundo, aqui no Brasil com essa baita crise, e também temos as crises de nossas vidas pessoais.

Não vou falar aqui da eterna briga de coxinhas x petralhas, atentados terroristas em diversas partes do globo, política, enfim, isso vou deixar para vocês assistirem nas retrospectivas que passarão na televisão e em diversos outros sites por aí.

Vou falar sobre algo que há tempos queria falar, e o final de ano é uma época oportuna para isso, e mato dois coelhos com uma cajadada só.

Pode não ser sido o mais exemplar, e mesmo assim sinto e MUITO a sua perda. Saudades, master, Pai.

Dezoito de dezembro de 2015 fez seis meses que meu pai se foi. Pois é, galera. O dia 18/06/2015 foi o pior dia do ano, e vou adiantar que só por isso, e algumas coisas decorrentes deste fato o meu ano de 2015 foi de ruim para péssimo. Aconteceram coisas boas, claro, porém a perda do meu pai deixou o saldo negativo.

Nos primeiros anos após a perda da minha mãe (mar/2011), demorou até cair a nossa ficha de que a matriarca da família se foi. Cada um sentiu à sua forma, mas desde 2013/2014 para cá deu para notar que quem mais sentiu essa perda foi meu pai.

A primeira vez que notei que algo estava errado foi um dia em que minha bicicleta estourou o pneu em um passeio ao Parque Ecológico do Tietê, até aí normal, porém ao telefonar para casa e pedir para meu pai ir me buscar, ele disse que não lembrava o caminho. Íamos direto para lá quando eu era criança, então estranhei ele não lembrar-se mais do caminho.

O tempo foi passando e ele começava a fazer coisas estranhas, como "necessidades fisiológicas" fora do lugar, falar sozinho gritando alto, entre outras coisas. A mente dele estava se deteriorando, porém o corpo continuava bom. Ele fazia exames, não acusava nada e os exames eram bons.

Um outro episódio ocorreu em 2014: estava na concentração do Pedal Paulista, e eis que recebo uma ligação do meu pai na caixa postal: ele dizia que a minha cunhada à época teria sido atropelada por um ônibus perto de casa. Meu coração disparou e fiquei sem ação, resolvi retornar a ligação e ele confirmava a história. Tentava ligar no celular dela e no do meu irmão e ninguém atendia.

Voltei correndo para casa, ainda bem que tinha cabeça para dirigir naquela Marginal Pinheiros e Tietê sem estourar os limites de velocidade, e eis que chego há duas quadras da de casa e vejo o ônibus atravessado lá. Perguntei ao fiscal que estava lá, como era a vítima do atropelamento e a descrição não batia com a da minha ex-cunhada.

Cheguei em casa, encontrei meu pai, e questionava em que hospital ela estaria coisa e tal, não tive resposta. Alguns minutos depois estava quase indo ao Santa Marcelina do Itaim Paulista obter alguma informação e ela aparece em casa! Foi um alívio. Não conseguia ligar para ela pois não tinha levado o celular.

A história ao mesmo tempo foi cômica e trágica. Cômica pela situação e desfecho favorável, e trágica pois ela já denunciava a fragilidade do meu pai.

O tempo foi passando e meu pai foi piorando. Eram visitas frequentes no hospital. Quando eu não podia dar carona para levar, ainda bem que tinham outras pessoas para fazê-lo.

Tirei férias no meio desse ano (em junho) para ajudar a minha ex-cunhada nos cuidados com meu pai, e eis que um dia levamos ele ao hospital e teve diagnóstico de infecção urinária e ficou internado lá.

Alguns dias de internação e eis que no dia 18/06 de manhã recebo a notícia que meu pai tinha retornado (falecido). Nem sei como explicar o sentimento no momento, era uma mistura de tristeza por ter perdido o meu pai, somando com a perda da minha mãe quatro anos antes; e de alívio pois o sofrimento dele (e o nosso, que sofríamos por tabela) tinha acabado, estava bem com Deus.

Mais uma vez fiz os trâmites burocráticos do velório e enterro, com o auxílio de uma prima e da minha ex-cunhada, fomos ao hospital ajudar a preparar o corpo para transporte para velar, fizemos o velório (eu não fiquei o tempo inteiro, já que era à noite e fui descansar um pouco em casa, depois voltei para o enterro) e finalmente o enterro.

A pergunta que ficou no ar é: e agora?

Agora é tocar a vida sozinho. Graças à Deus eu estou empregado e temos, eu e meu irmão caçula, casa própria, herança de meus pais. Desde a perda de minha mãe tratei de adquirir a autonomia que não tinha, em relação a cozinhar e a fazer algumas tarefas de casa. Bem dizer quem assumia grande parte das contas era eu, portanto financeiramente não seria um problema grande pois já estava acostumado.

E enquanto a parte "horizontal" da minha família? Ele tinha uma vida perfeita aos olhos de quem via, e resolveu dar uma guinada, mudar o rumo. Posso não aceitar as decisões dele, porém cabe a mim respeitar. Posso aconselhar, desde que me procure e queira ouvir meus conselhos, mas nunca decidir por ele. Eu sigo uma rota, ele outra, e essa é a vida. Não será fácil para nenhum de nós.

O que me deixa triste nesse fato é "perder" mais um membro da família. Uns dizem que "cunhada(o) só de começar com essas duas primeiras letras é uma coisa ruim", mas existem aquelas cunhadas que eu prefiro tratar como o termo em inglês: sister-in-a-law. Sim, a minha ex-cunhada foi como a irmã que não tive, a filha que meu pai não teve. Se meu pai teve uma passagem sossegada para o seio de Deus-Parens, a responsável por isso foi a minha ex-cunhada. No começo não me dava bem com ela, eu nunca tive muito contato com as namoradas do meu irmão, sempre fechava a cara para elas (de certa forma tinha - e ainda tenho - inveja dele, pois ele consegue namorada e eu não!) mas depois fomos pegando amizade que dura até hoje, e espero que dure muito.

Mesmo passados seis meses da morte do meu pai tem horas que a ficha ainda não caiu: porra, agora estou em um vôo solo por esse mundão a fora! Claro que eu queria ficar sozinho, morar sozinho, não ter que dar satisfação à ninguém das coisas que eu faço, mas não nesses moldes, de maneira extremamente forçada!

Uma amiga minha diz: "Leo, você é uma pessoa forte". Deve ser porque mesmo com esses reveses não sucumbi às drogas, ao álcool, aos remédios tarja-preta, às terapias com um profissional, enfim, segui a minha vida quase da mesma forma que estava seguindo anteriormente. Agora, até quando essa força irá durar, não sei. Tomara que dure muito, que Deus me dê.

Digo que a minha terapia são as mixagens musicais como DJ e as bicicletas. Sim, como vocês podem ver nos outros posts faço bastante provas estilo randonnée, ando bastante de bike e inclusive fiz bastante amizade nos pedais. E com isso conhecendo bastante lugares por aí. E mixagens como DJ... bem, música sempre faz bem à alma, principalmente aquelas que você gosta. Mesmo o estresse do trabalho também me ajuda à continuar a minha rotina.

Vida amorosa? Bem, desde um tempo para cá nula... Apaixonar-me por alguém está meio complicado, com as frustrações anteriores (me apaixono e só me fodo) estou bem pragmático em relação a isso. Agora, se alguma "maluca" apaixonar-se por mim e tiver coragem de se declarar, por que não tentar? Estou aberto à propostas, claro. Se bem que é difícil mulher chegar, mas vai que... pq se depender de mim... hehe. Claro, eu tenho os meus parâmetros para "selecionar", né!

Meu foco primário nesse ano de 2016 é a minha viagem de Retorno à Jiba, em meados de julho / agosto. Mais especificamente, a cidade de Tenri, província de Nara, Japão - Sede da Igreja Tenrikyo. Você diz: "Opa, vai trazer alguma japinha de lá, já que você prefere japinhas, ou ficar por lá?" Não é para isso não hehe. Vou para motivos religiosos: primeiramente, receber o Dom do Sazuke, a concessão divina. A grosso modo, explicando de uma forma que todos entendam, é uma "permissão para fazer benzimento nas pessoas". Se der tempo, participar do Corpo Internacional de Hinokishin (18 a 24 de julho de 2016). Quanto às japinhas, por aqui tem muitas altamente edificantes ;).

Tomara que no ano que vem consiga organizar melhor a minha vida solo. Quem sabe com ela organizada, com a grande viagem e as missões a cumprir nela finalmente concluídas, outras coisas que ando querendo, como voltar às paixoes hehe, possam acontecer de forma mais fluida, sem eu me preocupar com perdas gigantescas na família.

Feliz Ano Novo para todos nós!

Leonel Fraga de Oliveira Leonel Fraga de Oliveira é formado em Processamento de Dados na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP - 2002) e anteriormente em Técnico em Eletrônica, pela ETE Professor Aprígio Gonzaga (lá em 1999).
Atualmente trabalha como Analista de Sistemas na Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul - SP
Tem como hobbies DJing (também trabalha como DJ freelancer) e ciclismo, além da manutenção dos sites NeoMatrix Light e NeoMatrix Tech.
Gosta de música eletrônica, tecnologia, cinema (super fã de Jornada nas Estrelas), gastronomia e outras coisas mais.


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