Relato: BRM 200 de Itanhaém – Randonneurs Litoral, Série 2016
Leonel Fraga de Oliveira 09/11/2015 16:16

Ainda não terminamos o ano de 2015, e já temos eventos do ciclismo randonneur para o calendário 2016, que começou neste mês de Novembro.

Bike pronta para o BRM 200 de Itanhaém

O primeiro evento que participei deste ano foi o Brevet 200 na cidade de Itanhaém, pelo clube Randonneurs Litoral.

Na temporada passada, participei do (e concluí o) Desafio 92 em Fevereiro de 2015, que cobriu um bom pedaço do BRM, e nesta temporada, pensei: por que não tentar o Brevet, já que a altimetria é um pouco suave em relação à Boituva (que consegui brevetar), e agora que estou de speed consigo um bom tempo?

Como nos outros relatos, vamos por partes:

- Viagem para Itanhaém: Saí de casa por volta das 3:30 da manhã, e utilizei como caminho a Ayrton Senna, Rodoanel Leste e Sul, Rodovia dos Imigrantes e Padre Manoel da Nóbrega. O caminho desde o Rodoanel Leste até a chegada foi de muita garoa e chuva leve, neblina em alguns pontos da serra, mas sossegada e sem problemas. Chegando em Itanhaém, passei da entrada que deveria pegar, e tive que andar um tanto até fazer o retorno e tomar o caminho certo. Cheguei à Piscina Municipal por volta das 5:50, portanto dentro do meu tempo programado de viagem. Daí foi montar a bike, paramentar-me, e fazer a vistoria. Depois disso fui tomar um café no carro e conversar com alguns amigos de pedal até a largada.

- Itanhaém –> Peruíbe: Largamos às 7:30 da manhã, então os PCs teriam esses 30 minutos de tolerância nos horários de fechamento. Logo na largada caiu uma chuva leve, que nos acompanhou por todo o caminho. Logo na largada viramos à direita em algumas quadras e pegamos a Padre Manuel da Nóbrega, em vez de ir pela orla como na temporada passada. O caminho até Peruíbe é uma reta, com poucas subidas e falsos-planos. Até que consegui fazer boa velocidade.

- Orla de Peruíbe –> Morro do Guaraú: Também é um retão só, com paralelepípedos nas duas primeiras quadras e resto um asfalto bom, com algumas lombadas. A chuvinha era uma constante, e um vento já começava a atrapalhar um tanto. Eu media o quanto ela faltava para acabar pela numeração descrescente dos quiosques na praia. Quanto menor o número, mais me aproximava do centro. Deu para manter a velocidade, até a entrada para a Estrada do Guaraú.

- Morro do Guaraú (ida): Aí a cobra fuma! Uma subidinha BEM inclinada, e aí sim começa o empurra-bike. De speed, com uma relação 34x28 é complicado subir! Pedalei em alguns trechos, e a pista estava escorregadia principalmente nas laterais. Teve um momento, na subida, que a minha roda traseira derrapou. Não cheguei a cair da bike, deu para desmontar rapidinho e ir mais para o meio da pista e pegar embalo novamente. Na descida o cuidado tem que ser redobrado, principalmente porque a pista estava muito molhada e suja. Teve um trechinho que a pista estava com muita terra, e passar em alta velocidade era chão na certa. Então desci com muito cuidado para que não me acontecesse nada.

- PC 1: Cheguei ao PC 1, na Praia do Guaraú, e estava uma fila MONSTRO para carimbar o passaporte do Brevet 200 km. Consegui carimbar o passaporte às 09:55, portanto com cerca de 25 minutos de vantagem em relação ao fechamento. Muito pouco, e ainda visto que perdi um bom tempo nessa fila… Não me demorei muito neste PC, comi uma banana e vazei.

- Morro do Guaraú (volta): A subida da volta seria mais sossegada, porém meu câmbio traseiro desregulou, quando fui colocar a marcha mais leve a corrente cai da catraca. Consegui colocar na mais leve, porém com a alavanca de câmbio apontando para a penúltima marcha. Isso foi por muita terra acumulada. Essa parte até que foi sossegada, não levei muuuito tempo, e de novo cuidado quadruplicado na descida, pois na volta ela é mais inclinada e com todos os perigos de plantão, melhor não abusar.

- Peruíbe – Pedro de Toledo: Ao sair do Guaraú, pegamos a Variante de Peruíbe, seguimos ela até o final na Padre Manoel da Nóbrega e segui sentido Pedro de Toledo. A Padre Manoel da Nóbrega nesse trecho é em sua maior parte do tempo pista simples, com acostamento, e com faixa adicional nas subidas. Em Itariri já começa um trechinho de subida, e nesse ponto as pernas já começaram a reclamar, principalmente a direita. Fui indo na manha, descansando e andando em alguns tempos para relaxar a musculatura. O tempo já começa a apertar…

- Pedro de Toledo –> Miracatu: Na divisa entre Pedro de Toledo e Miracatu tem uma boa subida, em torno de 2,5 km mas um tanto chata. Subi bem na manha, e depois de terminar a subida tinha uns trechos de descida, e novamente, muito cuidado. O acostamento estava muito sujo, e em um trecho tinha um toco de árvore bem no meio dele. Inclusive nesse trecho um ciclista se acidentou feio, um pedaço de ferro entrou na roda dele e ejetou-o da bicicleta. O cara não teve fratura, porém ficou bem ferido no rosto.

- Miracatu –> PC 2: Passada a Serra, faltando alguns km para chegar ao PC 2 na Regis Bittencourt, o tempo de prova já estava BEM apertado e a perna direita um tanto dolorida, atrás do joelho. Ainda fui indo na manha, porém cheguei um pouco acima do tempo de fechamento, mas o cara deu uma “trégua” e marcou o tempo de 13:29 (fechava às 13:30), para que eu pudesse recuperar no caminho para o PC 3, novamente na Praia do Guaraú. Bem, esse era o mínimo depois de perder mais tempo na fila para carimbar o passaporte no PC 1…

- PC 2 até arregar: No PC 2 encontrei um pessoal conhecido dos pedais noturnos, trocamos algumas idéias, eles saíram na frente e fiquei um tempinho para comer uma banana, tomar água e abastecer as caraminholas. Ao sair, até pegar a estrada, o caminho era paralelepípedo. Imagina, um pneu fino passando por aquele terreno molhado! Nem arrisquei muito, desci da bike e caminhei por essa rua para não detonar a bike e/ou levar chão. Uma pessoa do grupo que saiu na frente furou o pneu, e segui meu caminho. A subida de Miracatu para Pedro de Toledo foi mais tranquila, bem menos inclinada que a ida. Até que foi tranquilo, mas depois a perna atacou de novo e perdi desempenho. Depois de passar a entrada para Itarirí vi que não iria mais dar tempo para chegar ao PC 3, pensar que teria que empurrar na Serra do Guaraú novamente, e joguei a toalha. Acho que um pouco antes de chegar na entrada do bairro Ana Dias, na variante de Peruíbe, vi um carro da organização que ofereceu resgate, porém antes ele iria passar no Pronto Socorro para buscar o cara que se acidentou na descida após a Serra de Pedro de Toledo, e segui meu caminho.

Dei uma parada no posto para comer alguma coisa, e ao ver que faltava uns 30 km para chegar até Itanhaém, indo direto pela Padre Manoel da Nóbrega, estava bem desanimado, pedalava um pouco e andava, até que o carro da organização parou e não pensei duas vezes e pedi arrego, entrei no resgate e segui para Itanhaém. Foi nessa hora que vi o cara que se acidentou, e mais uma pessoa que estava acompanhando, e fomos conversando pelo caminho, e vendo os demais ciclistas seguindo para o PC 4, na Plataforma de Pesca de Mongaguá.

Até pedir o arrego, foram um pouco mais de 130 km pedalados. Claro que eu estava deveras frustrado por não conseguir completar, pensava que em Boituva, numa altimetria mais ferrada, consegui completar, e em Brotas, mais ferrado ainda e com todos os perrengues, fiz os 200 mas estourando o tempo em “só” 50 minutos.

A altimetria de Itanhaém era leve, porém as subidas, principalmente o Guaraú são pesadas. Mas pô, e os trechos de retão? Na ida até que foi bem, o problema foi voltar, enfrentar o vento contra e a perna que começava a doer.

Muitas coisas podem ter feito eu ter um mau desempenho, tais como estar preocupado (=psicologicamente afetado) com uma aplicação que não consegui fazer funcionar em um cliente (no domingo, consegui fazer o bicho funcionar, mas isso é assunto para o NeoMatrix Tech), o banco da bicicleta estar muito alto e esticar demais a perna na pedalada, o que fui só perceber bem depois, o câmbio desregulado e torcendo para não quebrar a corrente nas subidas, o meu “relaxamento” nos pedais noturnos, faltando ao “pedal mais bonito de São Paulo” as vezes por preguiça mesmo ou pelas chuvas, falta de TREINO…

Bem, mais uma experiência em BRM, porém como randonnée é um vício, hoje (09/11/2015) já abriram as inscrições para o BRM 200, Desafios 100 e 70 em Santana do Parnaíba, pela famosa Estrada dos Romeiros, do Randonneurs Litoral. Não vou fazer a loucura de encarar os 200 km de Romeiros, a altimetria é insana, pouco mais de 1500m em apenas 65 km (km 48 da Castelo Branco até Pirapora + Romeiros de Pirapora até o centro de Cabreúva), porém já preenchi a ficha para o Desafio 70. Já fiz esse trecho de speed sem empurrar (só não conheço o trecho de Santana até Pirapora), então bora focar nos treinos sem mimimi.

Ah sim, em Abril tem outro desafio em Itanhaém, de 140 km (mais o BRM, se eu não me engano de 400 km), de Itanhaém até Miracatu, pelo caminho do BRM 200 só que sem o Morro do Guaraú. Mas antes ainda, em Janeiro, quero fazer o BRM 200 do Bairro do Cedro, questão de honra, pelo clube Randonneurs Mogi.

É isso!

Leonel Fraga de Oliveira Leonel Fraga de Oliveira é formado em Processamento de Dados na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP - 2002) e anteriormente em Técnico em Eletrônica, pela ETE Professor Aprígio Gonzaga (lá em 1999).
Atualmente trabalha como Analista de Sistemas na Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul - SP
Tem como hobbies DJing (também trabalha como DJ freelancer) e ciclismo, além da manutenção dos sites NeoMatrix Light e NeoMatrix Tech.
Gosta de música eletrônica, tecnologia, cinema (super fã de Jornada nas Estrelas), gastronomia e outras coisas mais.


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