Dia 12/09/2015 ocorreu a penúltima prova do calendário 2014/2015 (a última é o BRM 1000) do clube Audax Randonneurs São Paulo (ARSP), o Brevet 200 km e Desafio 120 km na cidade de Boituva - SP.

Tão logo as inscrições abriram, eu fiz a minha para o Brevet 200, que foi o meu quarto BRM 200, sem contar os desafios de quilometragem menor pelo Randonneurs Litoral, desde que iniciei na modalidade randonneur justamente pelas provas consideradas mais casca-grossa, do clube Randonneurs Mogi (quero fazer de novo o BRM Mogi-Igaratá e Mogi-Cedro, são questões de honra, já que utilizo bastante os percursos para treino) e o BRM de Brotas do ARSP (este quase foi, só 50 minutos de atraso com todos os perrengues!).

Inscrição feita (e acabaram rápido!), confirmada, e começo a estudar a rota pelo mapa indicativo e planilha, conseguindo decorar a rota e os PCs olhando pelo Google Maps sem o mapa indicativo plotado, olhando onde for possível o "aspecto" de onde serão os PCs pelo Street View (mesmo que a imagem esteja um tanto antiga). Também aproveitei para reservar a hospedagem no Hotel Garrafão, entre a largada e a chegada da prova, no Centro de Boituva.

O percurso é em uma região que é chamada de "mares de morros", portanto haveria MUITO sobe e desce, com poucos trechos planos, e confirmado pelo gráfico de altimetria, que pelo Ride With GPS indicava um pouco mais de 2400m de subidas acumuladas. Em questão de estrada, era basicamente um trecho da Castelo Branco, entra no km 129 sentido Tatuí pela SP-127, um pedaço da Raposo Tavares em Itapetininga, e novamente SP-127 até o Bairro Gramadão, acho que já em São Miguel Arcanjo (pelo que indica no Google Maps - esse bairro fica longe do centro de S. M. Arcanjo).

Beleza, mente preparada, ainda falta uns 5 dias para o Brevet e eis que a organização, por motivos de obras na SP-127 entre Itapetininga e o Bairro Gramadão, modificou o percurso para manter a segurança da prova, afinal pedalar com acostamento interditado e alto tráfego de caminhões, não rola.

O novo percurso deu uma aliviada na altimetria, em torno de 2060m de subidas acumuladas segundo o Ride With GPS, e consistia em sair de Boituva, seguir pela Castelo Branco sentido Interior, fazer o retorno no km 167 (Torre de Pedra), entrar na SP-127 sentido Tatuí e ir até o final dela na Raposo Tavares, seguir na Raposo sentido Itapetininga, pegar o primeiro retorno, entrar novamente na SP-127 sentido Boituva, sair no km 105 dela, e seguir pela Castelo até Boituva.

Bem, chegou a sexta-feira anterior ao grande dia fiz o mesmo esquema de Brotas, viajando na sexta-feira após o serviço direto para Boituva, chegar no hotel, preparar a bike e descansar.

Já no sábado do pedal, tomei um bom café da manhã e segui para a vistoria. Lá encontrei alguns amigos que conheci em outras provas randonnée anteriores e dos grupos que eu pedalo, todos fariam o brevet ou o desafio.

A largada ocorreu às 7:03 da manhã, portanto os PCs iriam ter essa tolerância de 3 minutos. O pedal pela Castelo Branco sentido Torre de Pedra foi deveras tranquilo para mim, pelo que eu me lembro não precisei utilizar a coroa menor (fui de speed) nas subidas. Aproveitei para "sentar a bota" na Castelo, pois sabia que iria precisar do tempo extra para depois do km 100, já na SP-127, onde iria começar as subidas fortes.

Na Rodovia Castelo Branco circulam muitos veículos do tipo "treminhão", ou seja, caminhões com mais de uma carreta. Imagina numa descida, em torno de 40 km/h, com bicicleta de pneu fino e uma jamanta dessa passa. Mesmo estando bem à direita no acostamento, a rajada de vento deslocado pelo caminhão é sentida com força. Por isso os ouvidos devem estar bem atentos, pois ao ouvir um caminhão eu reduzia um pouco a velocidade para não perder o equilíbrio por causa do vento.

E como o acostamento fica sujo, foi um festival de pneu furado. Seja de speed, de MTB, híbrida... com poucos km de prova eu já via algumas bikes de ponta-cabeça e o ciclista arrumando o pneu. Eu coloquei fita anti-furo no pneu traseiro da minha speed, que é o que fura mais, deixando sem no dianteiro. Se olhar bem no pneu, dá para ver vários buraquinhos feitos por vidro, pedras, pedaços de metal que ficam na via. Ainda bem que esse problema eu não tive.

Um pouco após o km 40, faltando uns 13 para o PC-1, me dá uma leve dor de barriga. É isso mesmo, alerta vermelho de Nº 2!!! Não tive vontade de ir ao banheiro após tomar o café da manhã, e estava no meio da estrada pedalando com aquele incômodo e ainda faltavam 20 km até o PC-2 que tinha estrutura. Se fosse o Nº 1 dava para parar, achar uma moitinha e fazer alí mesmo, já o 2 nem pensar. Eis que me surge um "oásis", um posto de atendimento ao usuário da concessionária da rodovia. Não pensei duas vezes em parar alí e perguntar onde tinha um banheiro.

Após dar aquela aliviada no intestino grosso, segui o meu pedal para o km 167 e fazer o retorno, chegando ao PC-1, que é apenas um ponto de passagem, sendo que o esquema era parar na rotatória do sentido SP, encontrar o voluntário do ARSP, carimbar o passaporte e cair fora para o PC-2, distante 10 km, no Auto Posto Quadra.

Cheguei ao PC-2, com 63 km de prova, às 09:59, com 1h20min de vantagem em relação ao tempo de fechamento. Comi um lanche, bananinhas, tomei isotônico, abasteci as caraminholas, descansei um pouco as pernas e eis que ao dar uma olhadinha na roda traseira da bike vejo um raio quebrado.

Continuar por mais 140 km ou voltar para o hotel, eis a questão. Pensava eu: já desci uma serra (de Bertioga) com um raio quebrado na MTB, vou continuar na prova e ver no que vai dar. Aí eu soltei a alavanca do freio traseiro para não ficar pegando (ele ainda funcionava se eu apertar a alavanca mais forte, mas como eu uso mais o dianteiro...) e segui viagem para o PC-3, em Itapetininga.

Do km 167 até o 129 da Castelo Branco foi tranquilo, sem necessidade de empurra-bike, só aquelas paradas para descansar um pouco a perna. Eis que chegando à SP-127, a cobra já ia começar a fumar, as subidas ficaram um pouco mais fortes.

A SP-127 é sobe e desce, com poucos planos. Para completar a sofrência, o vento contra estava muito forte! Agora sim, o empurra-bike iria se tornar um pouco mais frequente. Não tanto pelas subidas, estas davam para fazer de boa com a relação 34x28, mas o vento não ajudava.

A subida mais forte foi a do Morro do Alto. Uma subida longa, com uma boa curva, e o vento contra, levei em torno de 35 minutos para perfazer os 3,5 km da mesma. Na volta, 3,5 km de downhill, só que com muito cuidado pois o acostamento estava muito sujo.

Vencendo a SP-127, depois de 43 km na mesma, finalmente ganho a Raposo Tavares e chego ao PC-3 em Itapetininga às 15:19. Minha meta era chegar até às 15:30, portanto superei a meta e ainda fiquei com 1 hora de vantagem em relação ao fechamento. Alí foi recarregar as energias, os suprimentos, vestir a jaqueta pois o vento agora seria a favor, e bateria gelado nas costas, conversar com um amigo de Corrente do Pedal que estava no PC, e zarpar para a chegada.

Claro que durante esse percurso da volta da SP-127 até o km 105 teria alguns empurra-bike, mas incrivelmente foi mais sossegado que a ida! Uma subida que eu achei que iria ser casca-grossa enquanto estava na descida foi deveras sossegada.

A noite foi chegando, e com ela uma leve garoa. E por falar no tempo, durante o pedal o tempo foi bom, sem fazer aquele sol quente ou chover. Via algumas gotas d'água pelo farol da bicicleta, mas a garoa era leve e não atrapalhou em nada.

Ganhei a Rodovia Castelo Branco, faltando em torno de 15 km para completar a prova e tinha uma boa vantagem no tempo. Tinha um subidão pela frente, mas como as pernas estavam respondendo bem, sem câimbras, deu para seguir de boa na marcha mais leve e dando umas paradas para relaxar. Eu aumentei a altura do selim da bike, e coloquei-o um pouco mais para frente. Isso ajudou a ter uma postura mais correta e evitar as câimbras, além de comer algumas bananinhas que peguei nos PCs pelo caminho.

A bateria do meu GPS Sat Count já estava no fim, mas eu não me preocupei, pois estava com um bom tempo e faltavam mais 10 km para acabar a prova. Desliguei o GPS (mas estava registrando com o Strava no celular) e segui o caminho.

Depois de um tempo, ganho a saída 116 para Boituva, e já vi um pessoal de carro saindo da cidade. Ganho a cidade, viro na rodoviária, ganho a avenida principal da cidade e vou até o ponto de chegada, a duas quadras do hotel onde estou hospedado.

Chego para a glória às 19:57. com doze horas e cinquenta e quatro minutos de prova, ou seja, com 36 minutos de sobra em relação ao limite de 13h30min. Finalmente cumpri um dos meus objetivos no ciclismo desde que ouvi falar de Audax, randonnée e afins: completar uma prova de 200 km dentro do tempo.

Recebo o certificado e a medalha, tiro a foto oficial, e "transfiro" o pedido de medalha francesa que fiz para Brotas e não completei para o Brevet 200 de Boituva, me despeço do pessoal e vou para o hotel muito cansado e feliz, para tomar um banho e passar no restaurante para comer uma bela pizza, pois estava precisando encher o bucho.

Por fim, finalmente consegui brevetar 200 km na quarta prova nessa distância. Se eu penso em fazer a série Super Randonnée o ano que vem? Ainda não, pretendo fazer outros 200 km o ano que vem, principalmente os de Mogi, Holambra e Litoral :). Campos do Jordão ou Queluz ano que vem? Insano demais, nesses acho que vou no desafio hehehe.

Agora é me preparar, pois a temporada 2016 do Randonnée começa em Novembro!!! Nesse ano ainda tenho alguns Desafios Rurais para fazer, então vou dar um tempinho da speed e andar de MTB ;).

Na quarta tentativa de um BRM-200, finalmente brevetei!!!

Vejam o percurso no Strava:

Abraços!