Relato: BRM 200 Brotas - Audax Randonneurs São Paulo
Leonel Fraga de Oliveira 25/07/2015 23:23
Para cima e além! E teve muita subida!

Pensava eu que os brevets de 200 km do calendário 2014/2015 teriam acabado, só ficando para novembro desse ano (as temporadas do Audax começam em novembro), mas depois que surgiu a oportunidade de fazer mais uma prova de 200 km, a minha terceira nessa distância, não pensei duas vezes.

Dessa vez foi pelo clube Audax Randonneurs São Paulo, na cidade de Brotas-SP, no dia 25/07/2015. Fiz a inscrição e já fiz a reserva de hospedagem, afinal dirigir em torno de 290 km, pedalar 200 km, e dirigir mais 290 km no esquema de bate-e-volta, e não fazendo ideia do tempo de viagem não ia rolar. Então, resolvi me hospedar em um hotel para descansar da viagem de ida e descansar após o pedal para a viagem de volta.

Chegando o grande dia, na sexta-feira ao sair do serviço comprei algumas coisas e parti para Brotas direto de São Caetano do Sul, onde trabalho. Fiz o percurso pela Marginal (finalmente "experimentei" os novos limites de velocidade), Bandeirantes, Washington Luiz e SP-225. A viagem foi deveras tranquila, mesmo com uma chuva que me acompanhou desde SCS até um pouco depois de Campinas, acho que já em Holambra.

No hotel fiquei em um alojamento com outros ciclistas. Cheguei, fiz o check-in, arrumei as coisas para o pedal e dormi. Acordamos pelas 5:30 da matina, fizemos a vistoria e tomamos o café da manhã.

Retornamos ao local da largada para o briefing e as 7:05 bora para estrada!

Claro que antes de viajar vi a previsão do tempo para o dia 25, e esta era de chuva. E a largada foi com chuva. E como choveu!

O percurso de 200 km, todo pela SP-225,  tinha muito pouco plano, é bem dizer um sobe e desce. Logo no começo tivemos um bom downhill, e em seguida subida. Muita subida. A estrada é de muito boa qualidade, com acostamento e faixa adicional nos trechos de subida. Mesmo nesses trechos sem acostamento a faixa da direita antes de começar a pista era grande o suficiente para não precisarmos subir pela faixa de rolamento. Como tinha muita área rural (basicamente foi só área rural, muito pouco trecho urbano) tivemos que tomar cuidado com alguns galhos e cacos de vidro. Muita gente furou pneu nessa.

Cheguei ao PC-1 na cidade de Analândia com praticamente 1 hora de vantagem em relação ao tempo de fechamento (às 09:58, com fechamento em 11:05), ou seja, até que estava com uma boa média de velocidade. Lá reabasteci a caraminhola com isotônico e a mochila de hidratação com água, e comi frutas e lanche salgado.

O PC-2 foi na cidade de Pirassununga, em torno de 30 km de Analândia. Saímos da SP-225, entramos na Via Anhanguera e fizemos o acesso para Pirassununga. A chuva deu uma trégua, ainda estava nublado, e mais sobe e desce pelo caminho. Mais desce do que sobe, e isso "não é muito bom", porque tudo o que desce, tem que subir na volta, né! Cheguei lá às 12:01, ainda tinha 59 minutos de vantagem (fechava às 13:00), ou seja, praticamente mantive a velocidade. A volta para a SP-225 se deu por dentro de Pirassuninga, e este foi o único trecho urbano (fora a cidade de Brotas) de todo o Brevet.

O PC-3 foi no mesmo local do PC-1, na cidade de Analândia. Lembra que falei que em partes é ruim um caminho de ida que mais desce do que sobe? Pois é, agora na volta o que era descida, onde a bike facilmente passava dos 50 km/h (e eu não aliviei nas descidas, bem dizer soltei os freios e deixei Newton fazer seu trabalho), se transformava em subidas duríssimas. Em alguns trechos as pernas não aguentaram, e tive que ir de "pé-vette" mesmo. Como eu estava de speed, até empurrar a bike se tornou uma tarefa mais fácil do que empurrar a MTB. Nessas horas dava para sentir saudade da relação 22x34 da MTB :).

Cheguei ao PC-3 às 14:47, ele fechava às 15:30, ou seja, a vantagem de tempo caiu para 47 minutos. E o Sol já dava as caras, e como choveu muito a bike estava cheia de terra, parecia que eu tinha feito MTB! Além de reabastecer, dei um jato d'água na bike e lubrifiquei a corrente. Isso melhorou bastante a rolagem.

O caminho de volta à Brotas, para o PC-4 no Rancho da Pamonha (distante 14 km da entrada de Brotas) foi a parte mais dura do Brevet. As subidas eram constantes, e as câibras já começaram a atacar, principalmente na panturrilha direita. Quando eu colocava uma marcha mais pesada, doía a perna. Aí descia da bike, andava um pouco, alongava e voltava a pedalar. As descidas continuaram a ser só alegria, abusando um pouquinho da velocidade (chegando a no máximo 55 km/h, claro que dando uma aliviada nos freios nas curvas).

O tempo já estava fechando, ouvia trovões, via alguns raios. Eis que ao passar do pedágio no km 107 da SP-225, com 153 km pedalados, começa a chover MUITO forte. Foi uma chuva torrencial. Juntando a chuva, o vento, os caminhões passando e jogando aquele jato d'água e a pouca visibilidade, não tive outra escolha a não ser descer da bike e caminhar, afinal, continuar pedalando nestas condições principalmente de speed é um risco muito alto. Ainda bem que a organização exige iluminação e colete refletivo, pois isso ajuda e muito. Vejo os exemplos de pessoas pedalando com uniformes com tiras refletivas no tornozelo, e como normalmente não vejo iluminação, as tiras ficam visíveis e vejo a pessoa.

Antes de começar a chover, passei por duas pessoas que tinham furado um pneu. Fiquei pensando neles quando começou a chover, mas depois soube que foram resgatados pela organização que estava a caminho do PC-4 e chegado no hotel.

Pensei durante a chuva em desistir, em vez de ir para o PC-4 ir para o hotel. Mas a chuva aliviou, voltei a pedalar, as câimbras deram uma melhorada por causa do frio, teve lugares onde deu para sentar um pouco a bota, ficava calculando quantos km faltavam para o PC-4 e o tempo que tinha e resolvi ir para o PC para ver qual é que é. Passando a entrada de Brotas, tinha mais uns 10 km para o PC-4, e o trecho era em descida. Cheguei lá às 19:32, ou seja, com 18 minutos de vantagem. Comi algumas bananas, reabasteci com isotônico, e parti, já que o tempo estava bem apertado.

Partindo do PC-4, com 186 km pedalados, faltando 14 para a chegada, à noite, e duas pirambeiras para subir. Nem a pau que eu faria isso em pouco mais de 40 minutos! E logo ao sair do PC, acaba a bateria do ciclocomputador com GPS, ficando apenas o Cateye sem backlight contando. Ou seja, estava em um "vôo cego" quanto ao controle do horário e da quilometragem, fazendo um "malabarismo" para ver pelo menos as horas no Cateye. Claro que eu também estava registrando o percurso com o Strava, porém o celular estava no bolso traseiro da camisa e não iria parar para ficar checando ele.

As câibras atacaram, e tive que empurrar nas subidas. E um fato inusitado aconteceu: havia um carro parado à frente com o pisca-alerta aceso, aparentemente sem motivo. Um dos organizadores da prova, o Jota, que estava retornando do PC-4 parou ao meu lado para alertar, e enquanto eu pedalava ele ficou atrás para ver o comportamento do carro estranho. Nesses tempos em que bike é um objeto muito visado pelos ladrões, todo cuidado é pouco.

Quando cheguei próximo a esse carro parado, uma Doblô, o cara me perguntou se eu queria ajuda, e se eu estava fazendo 600 km. Bem, deu para ver que ele conhece a modalidade de ciclismo Randonneur. Como o Jota estava de carro atrás de mim acompanhando, esse cara foi embora. Após dizer ao Jota que eu não queria carona, já que não conseguiria mais completar a prova no tempo, e que eu queria ver em quanto tempo após eu pelo menos completaria o percurso de 200 km, fiz o meu caminho.

Cheguei ao final da prova com 50 minutos de atraso, às 21:20. Comparado aos outros BRM-200 que fiz pelo grupo de Mogi, este é o que eu tive mais próximo de brevetar. Depois de chegar e tomar um banho, já sentia bem o cansaço e as pernas. Imagina se eu fosse dirigir nessas condições! Daí foi comer alguma coisa e ir dormir.

Segundo o Strava, o tempo girado foi de 13 horas e 10 minutos, e o tempo bruto (esse é o que conta para a prova) 14 horas e 26 minutos. Como os PCs estavam com 5 minutos de tolerância devido a largada (ou seja, chegada até 20:35), deu exatos os 51 minutos de atraso :).

No dia seguinte, logo após tomar o café da manhã parti de volta para São Paulo. A saída de Brotas até Analândia foi com muita neblina na estrada. Para voltar fiz um caminho um pouco diferente: fui até Pirassununga pela SP-225, Anhanguera, Bandeirantes, Marginal e A. Senna. Finalmente em casa, e com uma viagem bem tranquila, super de boa, com 1 parada para lanche.

Enfim, não trouxe o certificado e a medalha para casa. Em compensação trouxe uma experiência incrível com bastante história para contar! Que venham os próximos e bora treinar!

Leonel Fraga de Oliveira Leonel Fraga de Oliveira é formado em Processamento de Dados na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP - 2002) e anteriormente em Técnico em Eletrônica, pela ETE Professor Aprígio Gonzaga (lá em 1999).
Atualmente trabalha como Analista de Sistemas na Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul - SP
Tem como hobbies DJing (também trabalha como DJ freelancer) e ciclismo, além da manutenção dos sites NeoMatrix Light e NeoMatrix Tech.
Gosta de música eletrônica, tecnologia, cinema (super fã de Jornada nas Estrelas), gastronomia e outras coisas mais.


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