Eu e meu novo vício em andar de bicicleta... E no dia 28 de Fevereiro de 2015 participei de mais uma prova de ciclismo randonneur, dessa vez pelo clube Randonneurs Litoral, não um brevet de 200 km, e sim uma distância menor, um desafio de 92 km na cidade de Itanhaém, litoral sul do Estado de São Paulo, que ocorreu paralelamente ao BRM-200.

Quando comecei a disputar provas estilo Audax, comecei pelas organizadas pelo clube Randonneurs Mogi, conhecido por organizar as "mais piores", no sentido de exigir e MUITO do ciclista devido a altimetria. Preciso treinar muito mais para disputar novamente, acho que BRM-200 deste grupo só no final do ano, já pelo calendário 2016.

Dessa vez resolvi pegar uma distância menor, fazer um desafio. Quando as inscrições foram abertas logo vi o mapa e estudar o caminho, e preparar a "logística" da viagem: cheguei do serviço na sexta (27), dormi até mais ou menos 2:40 da manhã, arrumei as coisas e parti de casa por volta das 3:30.

Vamos separar por tópicos, assim fica mais fácil:

- Chegada em Itanhaém: cheguei na cidade por volta das 5:30, saíndo de casa em São Miguel Paulista, pegando a Ayrton Senna, Jacu-Pêssego, Rodoanel Sul (o Leste via km 35 da A. Senna tinha que andar mais), Rodovia dos Imigrantes e Padre Manoel da Nóbrega. A viagem foi sossegada, não tive nenhum contra-tempo, visto que eu estava com o boga na mão devido a uma mangueira do sistema de ar quente do carro estar vazando a água do sistema de arrefecimento. Quanto a isso, não tive nenhum problema até voltar para São Paulo.

Cheguei no local da chegada da prova (em frente a Piscina Municipal, no centro), inclusive fui o primeiro a chegar. Logo outros ciclistas também estavam chegando, inclusive alguns que cruzei na estrada (estavam em outros carros com bike, eu pensei que eles também estivessem indo para a prova, e eu estava correto!). Qual não foi a minha surpresa, ao conversar com algumas pessoas, que elas moravam no meu bairro? Poxa, encontrei vizinhos de São Miguel em um Audax! Daí só foi arrumar a bicicleta, os suprimentos e ir para o local da largada, no topo do Morro do Paranambuco, fazer a vistoria e aguardar a largada.

- Orla de Itanhaém: Largamos às 7:27 da manhã, portanto os PCs teriam uma tolerância de 27 minutos nos horários de abertura/fechamento. Descemos o Morro do Paranambuco e logo pegamos a longa avenida da orla de Itanhaém. Os primeiros km foram em piso sextavado de concreto, com muitas rotatórias e lombadas, porém deu para pegar boa velocidade. Passando essa parte, aí sim pegamos o asfalto e fomos até o final da avenida, com extensão de cerca de 10 km de extensão, onde pegamos a última avenida grande (cerca de 2km) para entrar na Rodovia Padre Manuel da Nóbrega em direção a Peruíbe. Uma dificuldade considerável é o vento lateral e contra, e como o tempo estava fechando, o vento estava deveras forte.

- Itanhaém - Peruíbe: Foram 6 km pela Rodovia Padre Manuel da Nóbrega, todo no acostamento e ficando bem a direita pois nessa via passam muitos caminhões. Trecho sem grandes dificuldades, tirando o onipresente vento. Fomos até o km 343 da rodovia, onde passamos por baixo do viaduto para ganhar a entrada principal de Peruíbe.

- Orla de Peruíbe: Com cerca de 9 km de extensão, 99% do percurso asfaltado, só o comecinho foi paralelepípedo. Também feito sem maiores dificuldades.

- Serra do Guarau (Centro -> Guarau): Aí, meu amigo... a cobra começou a fumar. A serra do Morro do Guarau foi o único trecho de subida forte do Desafio 92. Tem cerca de 5 km de extensão, sobe um trecho e desce no outro até a Praia do Guarau. Mesmo com marcha leve (22 dentes na coroa e 34 dentes na catraca, fui com MTB equipada com pneus slick 700x38c) precisei empurrar nos trechos mais inclinados. Ainda bem que tinha feito uma boa média de velocidade nos 30 km da largada até a serra, justamente para compensar a velocidade menor na subida. E ao iniciar a subida da serra começa a chover, e eu tinha esquecido os óculos no carro, então já viu, nas descidas a água pingando nos olhos! Claro que desci com muita prudência, pois o chão estava bem molhado. Na descida até a praia a chuva já tinha passado.

Ao term inar a descida, pegamos a rua asfaltada à esquerda e finalmente cheguei ao PC 1 na Praia do Guarau com boa vantagem de tempo. Aí tomei água, isotônico, comi frutas, conversei com um pessoal, até que vi o algumas pessoas carregando um ciclista e sentando-a na cadeira, ela tinha caído da bike. Talvez tenha perdido o controle na descida da serra,  ela chegou ao PC 1 bem esgotada. Para não perder muito tempo no PC, resolvi partir, afinal tinha que subir a serra para voltar...

- Serra do Guarau (Guarau - Centro): Tudo o que desce, tem que subir de volta! Na subida da serra o Sol deu as caras, mas como tem bastante árvore, a sombra foi legal e não deu para fritar tanto. A subida da serra no trecho Guarau - Centro é pior do que no sentido inverso. Novamente empurrando em alguns trechos até que finalmente começa a descida, e aí só foi alegria até terminá-la. Fiquei pensando no pessoal que fez o BRM-200, que tinha que passar mais uma vez por alí, e ainda a subida em Pedro de Toledo...

- Centro de Peruíbe - Ana Dias (Município de Itariri): Saímos pelo centro de Peruíbe para pegar a SP-344/55 (Variante de Peruíbe) até a Padre Manuel da Nóbrega, virar à direita, andar alguns km nela e parar no posto BR do bairro Ana Dias, onde estava o PC 2. Logo ao chegar na Av. 24 de Dezembro, começa a chover, e ao entrar na SP-344/55 a chuva aperta e bem. Aí estavam, desde a metade do Morro do Guarau eu acompanhado de mais 2 pessoas. Fomos pedalando 18 km debaixo de chuva forte. A estrada é toda acostamentada e plana, a dificuldade no caso foi a chuva e o vento. Chegamos ao PC 2, onde carimbei o passaporte, me hidratei, comi algumas coisas, fiz algumas necessidades e logo parti para o último PC. Como demorei um pouco mais no posto de controle, meus acompanhantes de pedal já tinham partido, e como eles estavam de speed dispararam na frente.

- Rodovia Padre Manuel da Nóbrega (Ana Dias - Itanhaém): No PC 2 já estávamos com 58 km pedalados, faltavam 34 km para completar a prova e eu ainda tinha vantagem de cerca de 20 minutos em relação ao tempo limite. Como meus colegas que me acompanharam do Morro do Guarau até o PC 2 tinham partido, a jornada voltaria a ser sozinho. Fiz esses 34 km na manha, administrando bem a velocidade instantânea em cerca de 20 km/h, parando algumas vezes para tomar isotônico e descansando as pernas, andando apenas alguns metros até pedalar de novo, só para mudar o exercício e dissipar o ácido láctico que acumula nas pernas. A estrada é plana, claro, tem alguns falsos-planos e as pequenas subidas dos viadutos, mas nada complicado. O fogo continuou sendo o vento lateral e contra. O tempo alternou-se com garoa média e seco, aí não choveu forte.

Continuei a administrar a velocidade, sabia que continuava com uma boa vantagem, até pensei em pedalar mais lento mas consegui continuar num rítmo moderado, até que entrei em Itanhaém pela entrada mais ao centro, sendo que eu devia sair da Padre Manuel da Nóbrega pela saída imediatamente depois. Não que isso alterasse na quilometragem, deu a mesma coisa, só que em vez de ir "por cima" acabei indo "por baixo". Aí cheguei na Piscina Municipal, entreguei o passaporte com todas as passagens pelos PCs e finalmente concluí uma prova estilo Randonneur dentro do tempo limite! Aí foi pegar a medalha, o certificado e partir pro abraço \0/.

O meu tempo total foi de 5 horas e 41 minutos, velocidade média (contando com paradas) de cerca de 16,2 km/h (92 km / 5h41m). O limite era 6 horas e 10 minutos, portanto cheguei com 29 minutos de sobra. A meta agora é diminuir o tempo :).

Fiquei um tempo na cidade, almocei em um restaurante por lá, andei um pouco na praia (nem rolava de ir dar um "tchibum" na praia, pois estava ventando muito e ja tinha tomado banho na piscina municipal) e fui para casa realizado.

Em frente ao banner da prova. Pensa que é fácil pedalar na praia, sem ser para passear?