Relato: Audax BRM 200 - Bairro do Cedro
Leonel Fraga de Oliveira 14/01/2015 18:21

Dia 10/01/2014 participei de mais um evento Audax Randonneurs organizado pelo clube Randonneurs Mogi, que organizam as provas consideradas as mais duras (por ter muitas subidas fortes!) entre os clubes, e esta não foi diferente.

O percurso consistia de 2 "etapas": a primeira, de aproximadamente 55 km, saia de Mogi das Cruzes até Guararema, entrando pelo flanco sul; e voltava para Mogi das Cruzes, saíndo de Guararema pelo flanco norte. A segunda etapa, que contempla os 145 km restantes, vai de Mogi até o Bairro do Cedro (em Paraíbuna) e volta para Mogi.

Antes de fazer esse Audax, fiz um pequeno reconhecimento solo da primeira etapa do pedal (Mogi - Guararema - Mogi), e vi que poderia no dia da prova aproveitar os primeiros 25 km (Mogi - Guararema) que são bem dizer de descidas para ganhar tempo na volta para Mogi, para a subida da Serra de Sabaúna. Em outro dia, faltando uma semana, finalmente pedalei no circuito clássico da Estrada dos Romeiros (saída do km 48 da Castelo Branco, vai até Pirapora do Bom Jesus, e finalmente pega a Estrada dos Romeiros em direção à Cabreúva, ou se quiser esticar, até Itu), que é só sobe e desce, com poucos planos, bem dizer um preparatório para encarar longas subidas.

O único trecho que ficou faltando reconhecer era o entre Salesópolis - Bairro do Cedro.

Quem disse que consegui dormir direito no dia anterior à prova? Não pela ansiedade, mas sim pelo calor infernal que faz em São Paulo. Nesse dia já tinha preparado as coisas para o pedal: barrinhas de cereal, salgadinho, água, maltodextrina, colocar a bike no carro, checar equipamentos (roupa, luva, colete, capacete, faróis, GPS) e era só acordar às 5 da matina, tomar o café da manhã e dirigir para o ponto de largada na UMC.

A largada se deu às 7:00 e fiz conforme planejei: De Mogi até Guararema tinha poucas subidas leves nos 10 primeiros km até chegar ao topo da Serra de Sabaúna e daí começar um bom downhill e aproveitei bem para "sentar a bota" e chegar com boa antecedência ao PC 1 (em Guararema, com 25 km de prova). Lá comprei um refrigerante e um energético, tomei, fiz algumas necessidades e me preparei para volta, pois nesses Audaxes do RMC como tudo o que desce, tem que subir, tinha que subir um pouco na vida...

A volta para Mogi fiz com certa tranquilidade, dessa vez não fazendo  a besteira de ir com pneus de MTB (29''x2.10) e fui de slick (700x38c). Com isso, subi até que tranquilo, até exclamei "porra, já estou aqui!" quando cheguei a 2 curvas para terminar de subir a serra, em uma capela, onde há uma bica onde se pode tomar água e refrescar a cabeça. Nesse trecho só empurrei na curva seguinte à capela, pois ela é muito fechada a aproveitei para dar uma dissipada no ácido láctico das pernas. Mas cheguei a Mogi com velocidade média total (não a média girada - pedalando -, que é diferente) dentro dos limites (15 km/h).

Mogi - Salesópolis é um trecho já conhecido por mim, aproveitei para dar um gás, mas aí como estávamos chegando ao meio-dia o calor já começava a me fritar, literalmente. Suava em bicas! Dei uma parada em uma padaria em Biritiba Mirim, onde abasteci a mochila de hidratação, preparei mais maltodextrina, tomei mais um gatorade e um energético, dei uma descansada e continuei a pedalar.

Passado o portal de Salesópolis, dei mais uma parada para reabastecimento, afinal, ainda faltavam 30 km para chegar ao PC 2 e o tempo já começava a ficar escasso, afinal, por conta do calor, tinha diminuido a média de velocidade. Pedalei mais 10 km até chegar na região das cachoeiras e aí, meu amigo, o calor estava MUITO forte, o relógio já batia 14:30 (1 h até chegar no limite para o PC 2), eu suava o que daria para encher 1 Cantareira, faltavam 20 km para chegar ao PC 2 e tinha 10 km de paredão forte. Isso fora a volta! Aí não aguentei mais, o calor forte me venceu naquela hora e não daria mais tempo para chegar no ponto de controle. Lá encontrei um pessoal que também desistiu no mesmo ponto. Isso foi com mais ou menos 106 km pedalados.

Já que não iria completar, dei um bom tempo descansando, tomando água, comendo as barrinhas de cereal e o salgadinho (coisa de sal) e pedalei de volta para Mogi das Cruzes, mais 55 km até lá. Aí na volta o tempo dá uma aliviada, encontrei pelo caminho o Ricardo, que comentou o relato do Audax anterior e no momento estava consertando um pneu furado, conversei um pouco com ele, até um ponto do pedal onde seguiu caminho de volta e eu fui voltando super de boa.

E o impressionante: faltando 3 km para acabar a prova, faltando um pouco para terminar a SP-88 e entrar na avenida, encontro um outro pessoal consertando um pneu furado! Ainda faltavam 1 hora para dar o tempo limite da prova, dava até para carregar a bike no ombro até lá, mas o cara consertou bem e completou a prova! Nesse pessoal encontrei o Carlos, que conheci de um pedal que fiz até Bertioga com um pessoal do grupo LokoBikers.

Cheguei ao ponto de partida pelas 20h (pois é, dessa vez não dei um perdido de 6 horas!), entreguei o passaporte para o Rafael, comentei, faltaram 40 km para completar (20 de ida + 20 de volta desde o ponto que parei até o Cedro), mas mesmo com tudo isso a prova foi muito boa, rodei 160 km, explorei bem a minha resistência ao calor mas fui vencido por ele. Se não fosse o calor de tornar o estado de São Paulo em uma surursal do Inferno, talvez completaria.

E a experiência de começar a participar de Audax pelas provas consideradas mais duras foi um bom teste para meus limites, além de um bom preparatório para outras provas e até para os pedais de semana e fim de semana.

Veja o registro dos 160 km no Strava:

Outra prova do Randonneurs Mogi das Cruzes que vou participar? Bem, BRM-200 deles agora só no final desse ano (desse calendário 2014/2015 tem o misto - asfalto/terra - de São Luís do Paraitinga, mas é duríssimo!), que será válida pelo calendário 2015/2016. Até lá, vou treinando nesses percursos (afinal, a estrada não irá mudar de lugar) e participar de outras provas (seja de 200 km ou os desafios com distâncias menores), além de comprar uma bike de estrada :).

Leonel Fraga de Oliveira Leonel Fraga de Oliveira é formado em Processamento de Dados na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP - 2002) e anteriormente em Técnico em Eletrônica, pela ETE Professor Aprígio Gonzaga (lá em 1999).
Atualmente trabalha como Analista de Sistemas na Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul - SP
Tem como hobbies DJing (também trabalha como DJ freelancer) e ciclismo, além da manutenção dos sites NeoMatrix Light e NeoMatrix Tech.
Gosta de música eletrônica, tecnologia, cinema (super fã de Jornada nas Estrelas), gastronomia e outras coisas mais.


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