Estrada Salesópolis - Santa Branca: As subidas da serrinha foram INSANAS!

Quem me acompanha nas redes sociais sabe que meu esporte favorito é andar de bicicleta, seja em trilhas e principalmente em estrada.

Após um tempo já andando com frequência de bike e vendo os amigos participarem de provas de longa distância onde o mote não é a competição, e sim a auto-suficiência fiquei com vontade de participar.

Por que o Audax em vez de corrida, ou uma prova de MTB, já que a minha bike é uma MTB (ainda não possuo speed)? Porque como eu gosto de fazer cicloviagens em estrada, normalmente sozinho, encontrei nas provas estilo Randonneur o meu tipo de prova ideal.

Estas provas, chamadas de BRM (Brevet Randonneur Mondiaux) consistem em fazer um trajeto definido em um intervalo de tempo. Existem provas de 200, 300, 400, 600 e até 1000 km. A prova de 200 km deve ser feita em até 13h30min, o tempo limite é calculado a partir de uma velocidade média de 15 km/h.

Vendo os diversos clubes de Audax, me inscrevi no BRM 200 Mogi - Igaratá - Mogi, promovida pelo clube Randonnerus Mogi das Cruzes, cujo ponto de partida é a cidade de Mogi das Cruzes - SP. Bem, Mogi é perto de casa (cerca de 40 km), pedalo direto para lá, então vou ver qual é dessa prova!

Antes de fazer a inscrição dei uma olhada no percurso, a altimetria (segundo o site Bikely) quase batendo nos 5000 m de subidas acumuladas e a serra entre Salesópolis e Santa Branca me assustaram um pouco. Já sabia que iria sofrer na volta, já que a subida mais forte é voltando de Santa Branca para Salesópolis.

Pois bem, Alguns dias antes fiz um pedal (solo, para variar), saíndo de minha casa em São Miguel Paulista, indo para Mogi das Cruzes via Rodovia Ayrton Senna, subindo a serra de Mogi pela Mogi-Dutra, depois pegando a SP-88 até Salesópolis e voltei pela mesma rodovia para Mogi das Cruzes. Fazendo este percurso, pensei: já é um reconhecimento de 80 km do Audax, quase a metade (o trecho da SP-88 entre Mogi e Salesópolis é cerca de 40 km).

Esse pedal deu 126 km que fiz em 7h30min no total, incluíndo paradas. Bom tempo, pensei, acho que dá para fazer os 74 restantes nas 6 horas que sobraram.

Conforme a data foi se aproximando comprei algumas coisas que faltavam (um ciclocomputador mais parrudo - baseado em GPS -, colete reflexivo, iluminação extra), preparei a bike e aguardei.

Chegado o dia, deixei o carro em um estacionamento, montei as coisas, fui fazer a vistoria e às 7:00 largamos. Acreditam que só tinham umas 3 pessoas (incluindo eu) de mountain bike e o restante de speed? Eu e mais um cara usamos pneus cravados, enquanto o outro foi de slick. Como tinha feito o pedal que disse anteriormente com pneu cravado e num tempo bom, fiquei com preguiça de trocar para o slick. Ah se arrependimento matasse... Logo explico o motivo.

Vamos detalhar por trechos, para ficar melhor:

- Mogi - Salesópolis (SP-88): Trecho quase plano, com poucas subidas leves, e com uma descidinha boa no km 88. Dá para desenvolver boa velocidade nele e ganhar tempo. Como já conhecia esse trecho, foi sussa!

- Salesópolis - Santa Branca (SP-77 - Rodovia Nilo Máximo): Passando um pouco do portal de Salesópolis, pegamos o acesso à SP-77 que liga Salesópolis à Jacareí. Os primeiros km foram sossegados, mas meu amigo, aí a cobra começa a fumar e muito! Pensei que seriam mais descidas, mas até chegar na descida da serra tive que subir e muito na vida! Comecei a rezar para "Nossa Senhora do Megarange": Botei na coroinha (22T) e catracona (34T) e bora subir. Teve subida que fiz de boa, outras em zigue-zague (sempre prestando atenção se não vinha carro, já que o trecho era sem acostamento) e em algumas não teve jeito, foi de pé-vette mesmo. Depois um bom downhill, chego em Santa Branca. Cheguei no PC 1 (ponto de controle) a tempo, e saí 6 minutos após o tempo limite.

- Santa Branca - Igaratá: Nesse trecho pegamos um pouco da continuação da SP-77, saímos para a Carvalho Pinto sentido SP, depois saída para a D. Pedro até Igaratá. Novamente algumas subidas até a C. Pinto, a Rodovia Carvalho Pinto é muito boa, e como já pedalei por ela também foi sossegado. Mas quando chegou na D. Pedro... Subidas loooooongas! Tinha umas descidas também, claro. Nunca pensei que a D. Pedro tinha tanta subida! Enfim, cheguei ao PC 2 em Igaratá com atraso, tempo já estourado. Aí pensei: vou almoçar, dar uma descansada e me preparar para a volta (pelo mesmo caminho).

Na Carvalho Pinto sofri um pequeno acidente, levei uma "portada": estava descendo pelo acostamento, pela direita, e de repente vejo um carro abrir a porta do lado direito. Apertei com força os manetes de freio, diminui bem a velocidade antes de trombar com a porta. Como a velocidade estava baixa, não cheguei a cair da bicicleta, foi mais o susto para descer. Não me machuquei (somente uma batida no dedo indicador, nada demais), a bicicleta também não sofreu danos, o cara do carro perguntou se eu estava bem, e segui meu caminho.

Lá em Igaratá fiquei conversando com outros ciclistas, e encontrei mais um pessoal que errou a saída para Carvalho Pinto, pegando o sentido RJ, e foram parar no Frango Assado (10 km da saída para Santa Branca), andando então 20 km a mais até chegar no PC 2.

Como já tava com o tempo do PC 2 estourado, voltei despreocupado, já sabia que não daria para completar no prazo. Pegando a D. Pedro, já não queria mais ver subidas na minha frente! O Sol forte, e as subidas da serra de Santa Branca, e ainda estando com o pneu cravado (que não é próprio para andar na estrada pelo arrasto maior. Daí o meu arrependimento de não ter trocado para o pneu liso - 700 x 38c) me mataram! Caminhei vários trechos, cheguei em Santa Branca no mesmo ponto do PC 1, comi algo, abasteci os líquidos e parti para o trecho mais difícil, que seria a subida da serra até Salesópolis. Isto já eram em torno de 19 horas.

Foram 20 km intermináveis, agradecia à Deus por cada downhill naquela estrada, e ainda à noite (claro que desci com muita prudência, afinal, estava sozinho! :)). E quando no céu surgiam algumas nuvens e pensei que ia chover? Ainda bem que não choveu e a noite ficou linda! Quando vi que não tinha movimento, fiquei um pouco com o farol da bike apagado só apreciando as estrelas.

Lá por volta das 22h finalmente cheguei à Salesópolis e parei o GPS, pois a bateria já estava no fim. Naquela altura já estava pedindo por um busão até Mogi das Cruzes. Fiquei um tempo esperando no ponto e quando tentei embarcar, não aceitavam levar bicicleta. Era um ônibus urbano intermunicipal. Como não podia pegar o busão, perguntei onde tinha táxi. Fui em dois pontos (um na própria SP-88 e outro próximo à igreja matriz) e nada. Estou fodido de verde, amarelo, azul e branco!!!

Depois de cogitar pegar um hotel por alí, decidi ligar a tecla "F" e encarei um pedal de 45 km até Mogi. Bem, já andei por aquela estrada, a noite estava maravilhosa para pedalar, iria "trombar" com o pessoal do BRM 300, e embora os pés estivessem doendo por causa de uma bolha fui na cara e na coragem.

Fiz diversos trechos caminhando (principalmente as subidas), de fato cruzei com os ciclistas do BRM 300, e em um ponto a Renata da organização me encontrou na estrada (ela estava a caminho de Santa Branca) e conversamos um pouco, falei que embora não tivesse completado a prova a experiência fora maravilhosa.

Acabei chegando em Mogi das Cruzes pelas 2 da manhã! Bem dizer 6 horas de atraso hehe. A combinação de subidas, má escolha do pneu e sol forte derrubaram meu desempenho. Daí foi colocar a bike no carro e partir para o conforto do lar.

Embora não tivesse feito a prova no tempo a experiência de participar de um Audax é sensacional. Nunca me imaginei tanto tempo em cima da bicicleta e pedalando uma distância de 200 km. O objetivo de pedalar longe foi cumprido, e ainda mais testar a minha resistência e auto-suficiência, requisitos de um Audax.

Uma parte bem dura nem foram as subidas, o vento contra, e sim os cães! Você pedalando de boa e vem um totó correndo na sua perna querendo avançar! Daí você esquece que está com os pés, as pernas e a bunda doendo, tira energia não sei de onde e pau na máquina!!!

O que eu gostei bastante também foi o comportamento dos carros na estrada. Todos ultrapassaram na distância segura de pelo menos 1,5m. Como estava com colete reflexivo e iluminação na bicicleta, os carros me enxergavam de longe e ultrapassaram com segurança.

Se eu vou participar de outra prova do Randonneurs Mogi das Cruzes, conhecido por fazer provas bem duras? Bem, estou me coçando para fazer a inscrição para o BRM 200 para o Bairro do Cedro (Paraíbuna) dia 10/01/2015...

É isso aí!