Um dos assuntos mais comentados na Internet durante a semana que passou foi a entrevista do Pastor (?) Silas Malafaia no programa De Frente com Gabi, no SBT. A entrevista já começa com referências à reportagem da Revista Forbes, que aponta Malafaia como um dos pastores mais ricos do Brasil (fortuna estimada em R$ 300 milhões).

Não é de se estranhar. Silas Malafaia, Edir Macedo, Sônia e Estevam Hernandes, Valdomiro Santiago, só para citar os mais famosos e que sempre aparecem na mídia. Estes, assosiados a religiões(?) que pregam a chamada Teologia da Prosperidade; são donos de grandes fortunas, ao contrário da grande maioria dos fiéis destas denominações que chegam a doar tudo para as igrejas e ficarem na merda.

E ao lembrarmos que as igrejas não pagam imposto sobre dízimos, ofertas, e outros, podemos nos perguntar: Para onde vai toda essa grana? Eles podem falar que vão para a manutenção das igrejas e obras assistenciais, mas inegavelmente que boa parte da grana servem para a locupletação de seus líderes.

O que dizer então de Valdomiro “Toalhinha” Santiago, que vende um “tijolinho” por módicos R$ 200,00 na TV (1)? Isso não seria abusar da boa vontade dos fiéis?

“171” puro, na minha opinião. Estão fazendo a Fé das pessoas de mercadoria. Esse é o negócio dessas igrejas. A piada cai bem: “Pequenas(?) Igrejas, Grandes negócios”.

Saíndo do aspecto financeiro e entrando na esfera religiosa em si, essas denominações possuem preconceito com homossexuais, outras religiões (principalmente as de origem africana), entre outros. Não é Jesus que falava sempre para termos amor ao próximo? Essas “igrejas” não deveriam seguir sua palavra? Não é isso que elas estão fazendo não…

Edir Macedo escreveu o livro “Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios”, onde escreve que as religiões de origem africana são as responsáveis pela origem das doenças, desavenças, vícios e outros males que o ser humano está sujeito (2). Isso mostra que o auto-declarado bispo prega a intolerância religiosa.

Tá, vocês podem falar da liberdade de expressão e afins. Assim como eu tenho o direito de criticar as figuras que estou criticando aqui, Edir e os outros também possuem os mesmos direitos de crítica a algo que discordam. Mas temos também que “a liberdade de um termina quando ao do outro começa”, e neste caso, discordar é uma coisa, agora pregar a intolerância é outra bem diferente.

E ao pensar que esses caras possuem bastante infuência na política então… Silas Malafaia falou em sua entrevista a Marília Gabriela, que “o Brasil é um Estado laico, mas não laicisista”. Isso quer dizer que ele pode influenciar a política com suas convicções, mas nunca “enfiá-las goela abaixo” nas pessoas. Também disse que não gostaria de entrar para a política (leia candidatar-se para algum cargo), mas influenciar sim.

De fato em nossa política a religião influencia a tomada de decisões bastante polêmicas. Como o PL-122 (3). Esse é o projeto de lei que criminaliza a homofobia e é criticado por grupos religiosos (cristãos - de N denominações – em sua maioria) justamente por irem contra o que eles pregam em sua interpretação da Bíblia.

Mais recente, no Rio de Janeiro, foi sancionado o “Programa de Resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais” de autoria da atriz e deputada Myrian Rios (PSD-RJ – sim, o partido do ex-prefeito de SP Gilberto Kassab). O conceito de valor moral, social, ético e espiritual não é absoluto. O que eu posso achar certo, você pode achar totalmente errado. Esses conceitos variam conforme o tempo e/ou o lugar, e até mesmo uma pessoa pode ter seus valores modificados conforme modificam qualquer uma destas variáveis. Quer um exemplo? Vamos a ele: A própria Myrian Rios na década de 1970 fazia ensaios sensuais! Só procurar em qualquer buscador e vocês verão as fotos (4).

Se isso não é enfiar-nos convicções religiosas goela abaixo é o que, então?

Bem, para finalizar, não estou aqui criminalizando todas as religiões (tanto que EU tenho religião, sigo a Tenrikyo há mais de 15 anos), e sim estas que claramente se aproveitam da fragilidade dos fiéis na intenção de enriquecer seus líderes e as que querem impor suas convicções que pregam a intolerância através da política. Por que não ouvimos esse tipo de polêmica de religiões asiáticas (budismo, hinduísmo, etc.), africanas (umbanda, quimbanda, etc), de outras denominações como a Presbiteriana, Batista, até mesmo das prórpias Testemunhas de Jeová? Isso quer dizer que temos religiões boas sim.

De bônus, deixo a entrevista de Silas Malafaia à Marília Gabriela. Peguem um saquinho. Eu, por exemplo, tive vontade de vomitar ao ouvir esse cara…

Entrevista de Silas Malafaia, no programa De Frente com Gabi, em 03/02/2013