Hoje na minha timeline do Facebook e do Twitter, no que se refere aos meus contatos DJs, não se falava de outra coisa a não ser o novo lançamento da Pioneer, o CDJ-2000 nexus(carinhosamente apelidado por alguns de “CDJ-2000 MK2”).

Pioneer CDJ 2000 Nexus: Saiba tudo sobre ele!

Pouco se falava que ele é um baita upgrade para o CDJ-2000, que bem dizer, já vai fazer três anos de vida. O bicho tem um display de 6’’ totalmente reformulado, pode carregar as faixas via WiFi à partir de dispositivos (smartphones, tablets ou PC/Mac) que rodam o software Rekordbox (da própria Pioneer), pode ser utilizado como HID para softwares como o Traktor (2.5.1, que também tem essa função compatívem com alguns CDJs de linhas anteriores), entre outras coisas. No site do fabricante, o preço sugerido é de US$ 2.399,00 (lá fora, obviamente. Se aqui no BR o CDJ-2000 “mk1” custa 6k Dilmas, imagine quanto não custaria esse aqui).

Se quiserem saber mais: http://www.djban.com.br/noticias/pioneer-cdj-2000-nexus/

Poder para o DJ que toca com CDJ à parte, a grande “vedete” do CDJ-2000 nexus, pelo menos aqui no Brasil, é a função sync . Isso mesmo! Agora o CDJ topo de linha da Pioneer tem a função de sincronizar as batidas entre 2 CDJs, função que estreou no tão criticado quanto CDJ-350 , um modelo de entrada lançado há mais ou menos 1 ano atrás.

E é isso mesmo, caros leitores. O pessoal (pelo menos aqui do Brasil) em vez de levantar a bola dos outros recursos, ficaram meio que exclusivamente metendo o pau no “coitado” do Sync.

E quem critica a função de sincronização de batidas, que ganhou popularidade graças ao software Virtual DJ, e hoje presente em qualquer programa de mixagem e agora partindo para os CDJs? Na minha opinião, são “DJs” que não confiam em seus tacos, achando que o equipamento fará alguma diferença no desempenho do set .

Que temem em perder mercado para os “DJs de computador”, assim como profissionais de informática criticam os “sobrinhos que formatam computador e instalam antivírus”.

Não vou mentir aqui, nos meus NeoMatrix Sessions eu uso e abuso da função de sincronização de batidas do Traktor , para manter o tempo absoluto igual nas duas faixas e ter tempo para pensar em outras coisas, como soltar um efeito, ou mixar a faixa que estou tocando com alguns loops da que vai entrar, me ajudar a contar o tempo, entre outras coisas mais. Mas nem por isso deixo de treinar meus ouvidos nos CDJs, que nem contador de BPM e jog wheel tem . E inclusive eu acho mais prazeiroso usar os CDJs, com CDs normais, sem ser timecode (se fosse um CDJ com jog, aí sim o timecode seria interessante).

Mas, vem cá: Para usar o Sync do Traktor é só apertar o botão Sync e já era?

Nada disso, meu querido. Para o Sync do Traktor funcionar direito, é necessário que o beatgrid (as linhas que indicam cada tempo da múisica) esteja BEM alinhado com a faixa (basicamente, com os kicks – caixa e pedal). Isto não é uma tarefa tão trivial de se fazer. E tem aquelas músicas que o BPM varia dentro da faixa, que o compasso “quebra” e você tem que disparar novamente para os compassos baterem, tem que ficar contando os tempos para soltar a faixa no lugar certo, etc. Inclusive o Traktor tem a função de “beat lock” (também presente nos CDJs 350 e 2000 nexus), com a qual você define um andamento padrão e todas as faixas serão ajustadas para aquele BPM. Mas, para esta funcionar direito, o beatgrid de TODAS as faixas utilizadas também tem que estar 100%.

Veja a imagem abaixo, de uma música presente no NM Sessions deste mês (set/2012), e que o Traktor não montou o grid corretamente, e eu percebi isso somente quando fui tocar a faixa!

Deck do Traktor, com a função Beat Lock acima com o grid não montado corretamente de forma automática.

No site Psicodelia, tem um artigo intitulado “A moralidade do Sync”, publicado em 02/07/2012 e que tomei conhecimento graças a este #mimimi feito em cima do CDJ-2000 nexus.

Como eu uso o recurso, defendo que seu uso seja BEM feito. Já vi sets épicos tocados tanto com CDJ-100 quanto com CDJs 400 e 2000, e também ouvi sets horríveis tocados com Virtual DJ e os equipamentos outrora mencionados, quanto sets muito bem tocados usando softwares como Serato, Traktor e até o Virtual DJ.

Então o segredo está aonde, no equipamento? Óbvio que não. O segredo tanto de um set épico quanto um set lixo está em quem opera o equipamento, seja DJ ou “fake-DJ”. Seja com S4, BCD-3000, CDJ-100, CDJ-2000 nexus, é a pecinha que se encontra no comando das carrapetas que faz a mágica acontecer.

Essa peça que decide quais são as faixas que vão tocar, em que ordem serão tocadas, o que o público pede, qual é a proposta da festa, que decide onde uma faixa vai se encaixar com a outra, se é uma virada longa ou aquele corte seco e preciso, entre outros. Muitas coisas em um DJ set são decididas muito antes de apertar o play na primeira track. Eu mesmo quando planejo os NeoMatrix Sessions: ouço as músicas, vejo quais são legais, adquiro-as, faço a análise das notas para fazer mixagem harmônica, crio a ordem das mesmas, testo as viradas, finalmente mixo “pra valer”, faço o ajuste no nível do áudio, etc. Não é um processo simples de se fazer.

O Sync está lá, para ser usado OU NÃO.

Mais uma vez, vem cá: você DJ que critica o Sync sabia que o público típico de balada está pouco se lixando (para não dizer algo mais pesado) para o seu setup DJ? Ele está pouco se f* se a sua cabine tem um iTunes ou um “kit 2000 da Pioneer”. Eu como “DJ amador” reparo sim nessas coisas e principalmente na técnica do colega de futura profissão, mas o público quer mais saber dos hits do momento, de pegar as periguetes que dão sopa, de chapar o coco, outros querem saber de curtir o som, os amigos, a festa em si. Se você sambar ou o set for uma merda, o público vai notar, vai vaiar, vai comentar, independente do seu equipamento.

Como disse o DJ Alexander Rey Hunt no Facebook:

"Nao eh uma cdj com sync que me faz mais ou menos Dj. E sim meu repertorio e feeling de pista. Sempre foi, e sempre sera!"

E outra frase:

?…falar que isso me incomoda, eh o mesmo que assumir miinha incompetencia!

Isso mesmo, um DJ do gabarito do Alex Hunt pouco se lixando para esta função. Ele e outros DJs que fazem e amam o seu trabalho acima de tudo não estão nem aí com isso. Eles continuarão a fazer o que fazem muito bem feito como sempre fizeram! E eu não escondo a minha admiração por esses caras, seja o/a que vejo de vez em quando, ou aqueles que vejo todo mês tocar, e indo para as festas para vê-los tocar (além de outras coisas, claro hehe). São nesses que eu me espelho para construir uma futura carreira no comando das pick-ups.

O que NÃO vale é tocar com CD mixado, ter um camarada lá fazendo o trabalho que deveria ser feito por quem está com fone e levantando os bracinhos, esse tipo de coisa. E “playback” de DJ então, onde o sonoplasta coloca a trilha e o CDJ tá desligado? Pelo amor, né!

Se vc é DJ, sabe como animar a pista, faz o seu trabalho bem feito independente do equipamento, por que se preocupar? Funções a mais ou a menos em um novo equipamento não vai fazer diferença! Quem anima pista com Technics SL-1200 MKx, CDJ-100, 200, 400 ou o que seja, tá fazendo a função do DJ!!! Simples assim.

Que tal em vez de meter o pau em uma única função de um CDJ top de linha que acabou de ser lançado, não buscar novas técnicas para melhorar o seu set? De explorar mais o equipamento que você tem, tirar leite de pedra mesmo, e quando der, lutar por um upgrade? E não falo só em técnicas de mixagem não…

Vamos curtir este lançamento da Pioneer, e esperar que não precisamos vender um rim para sonhar em comprar, né! Enquanto isso, vou eu querendo um par de CDJ-400 (que tem HID nativo no Traktor :) ) para dar um up no meu equpo hehe.

Um abraço!