Novela Carrossel

“Entre duendes e fadas, a terra encantada, espera por nós…”

Se você tem por volta dos seus 30 anos, com certeza deve ter curtido a novela mexicana Carrossel em sua infância. Eu sim, curtia e muito a trama passada com os alunos da Escola Mundial, “comandados” pela doce e encantadora Professora Helena.

A novela, em seus 375 capítulos, explorou diversos temas envolvendo as crianças e adultos, principalmente os temas racismo e diferenças sociais. Quem não se lembra da Maria Joaquina sempre desprezando o Cirilo por ser pobre E negro?

Ela foi ao ar no Brasil entre os anos de 1991 e 1992, sendo reprisada três vezes. E foi um sucesso.

Passados vinte anos, Carrossel ganha uma adaptação brasileira, com a direção de Iris Abravanel.

Para nós, que curtimos a primeira versão, as comparações com esta nova roupagem são inevitáveis, e é este o foco deste post. Então vamos a ela!

Assisti aos primeiros capítulos do “Novo Carrossel” pelo YouTube. Comecei pelo sexto capítulo, avancei até o nono (ou o décimo, foi o exibido em 01/06/2012), e assisti ao primeiríssimo.

Os cenários da nova versão possuem cores mais vivas do que a sua antecessora, onde predominava cores mais “frias”. Não estou levando em conta que hoje em dia temos imagens em alta definição mesmo na TV aberta. Também, se em 20 anos não tivéssemos esse salto em qualidade de imagem, pelo amor, né!

Quanto às personagens, a Diretora Oliva e o servente Firmino são caricaturas perfeitas de suas contra-partes mexicanas. Ficaram quase IDÊNTICOS! O Firmino então, a caracterização ficou perfeita. O trabalho de maquiagem feito nessas duas personagens ficou de primeira.

Os pais do Cirilo também ficaram muito parecidos. O restante, chega perto, mas as diferenças em relação ao original são mais, digamos assim, gritantes.

Já o gênio… Na minha opinião as características de personalidade das personagens ficaram mais potencializadas nessa nova versão. Exemplos: A Gorda, ops, a Diretora Oliva ficou mais “megera”, a Maria Joaquina mais esnobe, o Paulo mais travesso, o Cirilo mais ingênuo…

E tecnologicamente falando, o “Novo Carrossel” mostra itens que nem imaginávamos à vinte anos atrás: a Maria Joaquina andando com seu iPad (com o logo da Apple escondido, obviamente. Mas quem conhece já logo nota que é o tablet da Apple que está sendo mostrado) pela Escola Mundial, usando-o na cama, outras personagens com computador, videogames de última geração… Eu que não reparei direito, mas como é comum na vida real, em Carrossel as crianças também andam com celular?

Uma coisa que não tinha na versão antiga e que tem na nova e eu detestei, mas o mundo hoje em dia não vive sem isso, é o merchandising (ou para os mais puristas, product placement) descarado de produtos na novela. Pensei na hora que eu vi: “até as crianças não escapam do merchã”. Este product placement foi de um sabonete líquido, mostrado no momento em que as crianças lavam as mãos. E em um dos quadros da novela, a Professora Helena faz a propaganda do produto. Mesmo que ela tenha sido feita dentro do contexto (o sabonete é usado para lavar as mãos), particularmente não gostei pelo fato de ser MUITO forçada. Os caras nesse ponto deveriam ter um pouco mais de criatividade e deixado a propaganda mais leve.

Comparando especificamente o primeiro capítulo de ambas as versões (eu revi o primeiro da mexicana também), elas possuem os mesmos esquetes, QUASE as mesmas falas.

O “QUASE” aí é porque a “praga do politicamente correto” pegou as falas mais chocantes da versão mexicana (e que também é chocante na dublagem brasileira da original). Mais especificamente o tema racismo de etnia, e para deixar mais específico ainda, a cena na aula de música, onde na versão original a Maria Joaquina diz para o Cirilo “meta-se com os de sua cor” e na versão atual a fala é modificada para “meta-se com os da sua laia”, e em seguida o Cirilo dá um pisão no pé de Maria Joaquina.

Hoje, até se um negro chamar o outro de “preto” ele pode ser processado e preso. Em tempos em que qualquer ONG se dói por qualquer coisa que há vinte anos atrás se resolvia na porrada e ficava por isso mesmo, acho que as falas foram modificadas e o tema racismo será exposto de forma bem mais light para evitarem dores de cabeça para o SBT. Já que o Ministério Público deve estar com tempo sobrando e está enchendo o saco por qualquer coisinha dita na TV que desagrade uma minoria, não duvido em nada que pegariam no pé de Carrossel por causa do tema racismo, sendo exposto com as mesmas palavras da versão original.

Achei criativo esse comentário feito em um dos vídeos do Carrossel antigo no YouTube:

Se fosse nos dias de hoje, Cirilo iria buscar tratamento psiquiátrico, Maria Joaquina seria acusada de bullying e processada, a comissão de direitos humanos iria cair de pau na escola e o caso seria veiculado em todos os jornais do mundo.

Para vocês verem como o comportamento mudou muito, o mundo ficou mais “fresco”.

Quer ver isso na prática? Vou postar os links à seguir e tirem as suas conclusões:

- Vídeo 1: Primeira parte do Primeiro capítulo da versão mexicana de Carrossel (1991)
- Vídeo 2: Primeira parte do Primeiro capítulo da versão brasileira de Carrossel (2012)

É isso aí! Mesmo com essas baita diferenças, estou gostando desse remake, e espero anciosamente pela entrada do Jorge Del Salto e a a história da épica corrida entre ele e o Cirilo. Sucesso a ele, e tomara que as crianças assistam. Muito melhor que as porcarias que geralmente habitam a TV aberta :)