Rock In Rio, Axé e Hitler
Leonel Fraga de Oliveira 30/09/2011 22:49

Este ano tivemos mais uma edição do festival musical Rock In Rio, dessa vez na cidade do Rio de Janeiro. Como sempre muita gente, muitas atrações nacionais e internacionais, tumulto, trânsito, roubos e furtos a torto e direito…

Mas o que a turma contesta e muito, principalmente nessa edição é o line-up inusitado, que além de grupos de Rock teve muito pop e, pasmem, axé music.

Katy Perry, Rihana, Claudia Leitte, Ivete Sangalo (mulheres edificantes, por sinal) foram atrações que tocaram no palco principal do festival. Opa, pera ae… Festival de ROCK misturado com pop e axé?

Há tempos o Rock In Rio se tornou apenas uma marca. Embora tenha Rock no nome e uma guitarra como símbolo desde as primeiras edições nunca teve somente Rock. E também nem sempre foi feito no Rio de Janeiro. Mas quem vai a este festival SEMPRE espera pelas bandas e artistas de Rock!

Não foi a toa que a Claudia Leitte foi vaiada em seu show na Cidade do Rock. O povo queria Rock, pagou para ver isso e a Claudinha cantou uma música nada a ver. Quero ver se o Metallica, o Sepultura ou o Iron Maiden forem desfilar no Carnaval de Salvador ou em uma micareta. Não combina, né?

Tá, podem dizer que quem não quisesse ver Claudia Leitte e afins não comprava o ingresso para aquele dia. Mas e as outras atrações que interessavam no mesmo dia? O povo queria chegar cedo no local para vê-las, ora!

Rock In Rio demonstrou que é uma marca forte e que atrai muita gente. Só que EU acho que essa “desvirtualização” do nome acaba queimando a marca, isso sim. Que os organizadores tivessem a consciência que geralmente o público que gosta de rock é meio radical quanto a seus gostos e que, francamente, como eu disse acima axé NÃO combina com Rock. Se outra marca fosse adotada para o festival, ela teria tanto impacto assim? O que vocês acham que tem mais impacto: Rock In Rio ou o SWU?

Quando um artista recebe tantas vaias do público com certeza abala as estruturas emocionais do sujeito (da moça), e com Claudinha não foi diferente. Leiam o que ela escreveu em seu blog:

(…)

Ok. Não gostar de Axé é normal! Anormal é achar-se superior porque conhece John Coltrane ou porque adora o Metallica. Procurem no Google sobre a história de um ariano que se achava superior aos judeus…

Há tanto por fazer. E pessoas com voz ativa, com acesso à internet, manifestam-se como se fossem melhores que as outras porque curtem o LED ZEPPELIN… Hein?

O desrespeito  é mais fácil de ser tolerado porque é uma atitude Rock and Roll? Não seria isso alienação? Liberdade é respeitar. Liberdade é conviver com as diferenças. Liberdade é ter opinião própria . Tudo o que representa o oposto disso não cheira bem.

Misturar meu Leite com preconceito e falta do que fazer ia dar em mer… rs Certamente, essas pessoas queriam estar na platéia do Rock in Rio, quiçá naquele palco.

Artistas internacionais vêm pra cá, mostram a bunda, atrasam-se por 2 horas pq estão dando uma festinha no camarim, não conseguem conciliar a respiração com o canto, não preparam espetáculos para o nosso povo, desafinam, enfim, pouco se importam conosco, querem beijar na boca, ir à praia e tomar nossa cachaça, e nós, que pagamos caro para assistir aos seus “espetáculos” em nossa terra, aplaudimos a tudo isso. Ah! É Rock! É Pop! É bom!

Sim! Eu sou uma cantora de AXÉ no Rock in Rio com muito orgulho. Foi através da música baiana, da minha luta diária, do apoio de gente honesta que trabalha tanto quanto eu, do meu talento e, sobretudo, da fé que tenho em Deus, que cheguei aquele palco.

(…)

Fonte: [Depois de Rita, quem se irrita (por Cláudia Leitte)]

Como eu disse acima, quem gosta de rock as vezes é muito radical em relação aos seus gostos. Veja a “briga” eterna entre Rock e Pagode. Eu não curto pagode nem a pau e portanto não vou à baladas e afins que tocam pagode. Mas não recrimino quem gosta. Gosto é que nem cu e cada um tem o seu, certo? E como eu também curto rock (curto principalmente música eletrônica) eu vou sim às baladas rock e shows por aí. Outros estilos eu ouço de boa, inclusive samba (o de raíz, diga-se de passagem).

Na minha opinião a comparação com Hitler tem até certo sentido por causa da intolerância dos fãs de rock em relação ao axé em um festival que deveria ser de rock mas está longe de ser. Os fãs fanáticos por rock recriminam qualquer coisa diferente disso e querem “exterminar” outros estilos? Talvez sim, não posso julgar pelos outros.

Concordo com a Claudinha na cutucada que ela deu nas artistas internacionais. É bem isso o que acontece mesmo.

Reitero aqui a opinião de que a organização do Rock In Rio deveria ter estudado mais a influência da marca entre os fãs de rock, que é o chamariz do festival. Será que a grana que deve ter entrado com esses “peixes fora d’água” vale a pena em relação ao que a marca “Rock In Rio” ficou queimada entre os fãs? Uma propaganda negativa corre várias vezes mais rápido que um elogio!

Talvez devesse ficar lá em Lisboa e Madrid mesmo… porque aqui no Brasil… vocês estão vendo o que aconteceu! Não viu? Veja o vídeo!

Claudia Leitte sendo vaiada no Rock In Rio

Abraços!

Leonel Fraga de Oliveira Leonel Fraga de Oliveira é formado em Processamento de Dados na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP - 2002) e anteriormente em Técnico em Eletrônica, pela ETE Professor Aprígio Gonzaga (lá em 1999).
Atualmente trabalha como Analista de Sistemas na Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul - SP
Tem como hobbies DJing (também trabalha como DJ freelancer) e ciclismo, além da manutenção dos sites NeoMatrix Light e NeoMatrix Tech.
Gosta de música eletrônica, tecnologia, cinema (super fã de Jornada nas Estrelas), gastronomia e outras coisas mais.


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