Estudante de 10 anos atira em professora e se mata em São Caetano do Sul. Mais uma vítima de bullying?
Leonel Fraga de Oliveira 22/09/2011 23:00

Em 7 de Abril de 2011 ocorreu o “Massacre de Realengo”, onde o atirador Wellington Menezes, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo – RJ matou doze crianças e feriu mais de dez estudantes.

Hoje (22/09/2011) um garoto de dez anos, David Mota Nogueira, aluno da Escola Municipal Profª Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, atirou na professora Rosileide Queiroz de Silveira e em seguida se matou com dois tiros na cabeça. Isso foi por volta das 16:30, e é bem perto de onde eu trabalho.

E o que estes dois casos, fora outros que aconteceram ao redor do mundo, tem em comum?

Em ambos os casos é mencionado que a criança sofria assédio moral, mais conhecido hoje em dia como bullying. O que é chamado hoje de bullying sempre existiu: as pessoas que se julgam “superiores” assediam moral e fisicamente as pessoas que julgam inferiores. Cor de pele, deficiências físicas, timidez, tudo é um motivo para que as pessoas comecem a caçoar de outras.

Há vezes que o assédio moral é tão alto que chega um ponto em que quem sofre não aguenta mais. A tensão é tão grande que quem sofre pode pensar em:

1. Fazer mal para quem faz sofrer, inclusive a morte
2. Suicidar-se

Para suportar tamanha pressão é preciso ter boa estrutura psicológica. Ter o pensamento de sempre ficar na sua, descarregar as frustrações em outras coisas.

Falo isso por experiência própria. Durante a minha adolescência, principalmente no ensino médio, eu era vítima de bullying. Isso nos anos 90, quando esse nome sequer era ouvido aqui no Brasil. Por que as pessoas mexiam comigo?

Bem, eu era (e ainda sou) dedicado aos estudos, era de poucos amigos (não me misturava com qualquer um), sempre fui “na minha”. E como sempre um rapaz timido. Então, aqueles que se julgavam superiores a mim no aspecto social caçoavam, lógico. Chegaram a colocar o apelido de Logan (ou Volverine) em mim, por causa do cabelo e da barba por fazer e sempre “nervoso”. Hoje em dia eu até acho que me pareço com o Logan dos filmes do X-Men e aceitaria o apelido de boa :D . E coincidentemente, meu carro é um modelo Logan, da Renault!

E não vou mentir para você, leitor: eu pensava na primeira opção que eu disse logo acima, ou seja, fazer sofrer aqueles que me tiravam do sério.

Mas… vejo onde eu estou hoje, graças à estrutura psicológica que eu tive, sempre me apoiando na vontade de crescer: sou reconhecido pelo meu trabalho, pelas minhas características pessoais (claro, não todas agradáveis, pois sempre tem aqueles momentos em que estamos de mau humor, certo? :P ), sou bom no que faço, tenho vários amigos… enfim, tudo aquilo que ocorreu no passado foi superado. Claro que ficaram sequelas sérias, mas isso é outro assunto.

Hoje em dia tudo acontece a uma velocidade incrivelmente superior à dos anos 90 e o nosso sistema educacional ainda não está preparado para dar assistência às vítimas de bullying.

Sou da opinião que as vítimas precisam reagir. Não com agressão, pois isto fará a vítima descer ao nível do agressor. Nesse caso a Justiça deve ser sim acionada. Isso mesmo, a vítima deve meter um baita de um processo ao agressor. Ah, é menor de idade? Então que os pais sejam envolvidos nisso!

Como hoje em dia conversa não adianta muito, melhor fazer sentir onde dói mais: no bolso.

E claro, o sistema educacional deve melhorar e muito, obter a estrutura necessária para tratar do bullying.

[Fonte: Diário do Grande ABC]

Leonel Fraga de Oliveira Leonel Fraga de Oliveira é formado em Processamento de Dados na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP - 2002) e anteriormente em Técnico em Eletrônica, pela ETE Professor Aprígio Gonzaga (lá em 1999).
Atualmente trabalha como Analista de Sistemas na Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul - SP
Tem como hobbies DJing (também trabalha como DJ freelancer) e ciclismo, além da manutenção dos sites NeoMatrix Light e NeoMatrix Tech.
Gosta de música eletrônica, tecnologia, cinema (super fã de Jornada nas Estrelas), gastronomia e outras coisas mais.


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